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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Uma Longa Jornada - Nicholas Sparks

Uma Longa Jornada
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 361
Classificação: 

Aos 91 anos, com problemas de saúde e sozinho no mundo, Ira Levinson sofre um terrível acidente de carro. Enquanto luta para se manter consciente, a imagem de Ruth, sua amada esposa que morreu há nove anos, surge diante dele. Mesmo sabendo que é impossível que ela esteja ali, Ira se agarra a isso e relembra diversos momentos de sua longa vida em comum: o dia em que se conheceram, o casamento, o amor dela pela arte, os dias sombrios da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos sobre eles e suas famílias.
Perto dali, Sophia Danko, uma jovem estudante de história da arte, acompanha a melhor amiga a um rodeio. Lá, é assediada pelo ex-namorado e acaba sendo salva por Luke Collins, o caubói que acabou de vencer a competição.
Ele e Sophia começam a conversar e logo percebem como é fácil estarem juntos. Luke é completamente diferente dos rapazes privilegiados da faculdade. Ele não mede esforços para ajudar a mãe e salvar a fazenda da família. Aos poucos, Sophia começa a descobrir um novo mundo e percebe que Luke talvez tenha o poder de reescrever o futuro que ela havia planejado. Isso se o terrível segredo que ele guarda não puser tudo a perder.
Ira e Ruth. Luke e Sophia. Dois casais de gerações diferentes que o destino cuidará de unir, mostrando que, para além do desespero, da dificuldade e da morte, a força do amor sempre nos guia nesta longa jornada que é a vida.

Fazia um tempão que eu não chorava com um Sparks... Eu até derramava uma lágrima ou outra, e conseguia gostar, mas chorar, verdadeiramente, de modo a me sentir extramente tocada como aconteceu com esse livro, fazia muito tempo. Uma Longa Jornada me deixou chorando horrores, e acreditem se quiser, nem foi pelo motivo que eu deveria ter chorado. Confuso, não? Mas vou tentar explicar nesta resenha.

"Ela era excepcional; eu era mediano, um homem cuja maior realização na vida foi amá-la sem limites,e isso nunca mudará."

O livro conta duas histórias paralelas. A primeira dessas é a de Ira Levinson, um idoso de 91 anos, que acabou de sofrer um acidente de carro no meio do nada, e não tem ninguém que possa dar sua falta. Sua única companhia é o fantasma de sua esposa Ruth, que lhe da forças para continuar a viver. Eles começam a relembrar o passado, fato que o mantém lúcido por algumas horas. A outra história é a de Sophia Danko, uma estudante de história da arte que acaba de terminar um relacionamento. Sua amiga a convence a ir até um rodeio para se divertir. Sophia concorda relutante, e por não estar obviamente se divertindo, sai para tomar um ar. Lá fora, ela é assediada pelo seu ex-namorada, e defendida pelo peão Luke Collins, pelo qual, mesmo sem querer, se vê encantada e curiosa.

Eu sempre digo isso nas minhas resenhas de livros de Sparks, que apesar de ele não inovar o padrão, o mais gostoso dos livros dele são as narrativas sensíveis. E nesse livro, elas continuam, só que de forma diferente. Os capítulos que falam de Sophia e Luke são narrados em terceira pessoa, e os de Ira, são narrados pelo próprio personagem. Confesso que gostei mais da narrativa (e da história) de Sophia e Luke, mas toda vez que começa um capítulo de Ira, não conseguia não virar as páginas voando, principalmente por conta de Ruth, que se tornou uma das minhas personagens favoritas do autor.

"Sophia sorriu e se aproximou mais. Quando Luke se inclinou para beijá-la, ela soube que, se antes não estava apaixonada por ele, agora não restava mais dúvidas."

A história do passado de Ruth e Ira é curiosa. Fala muito sobre a guerra e das sequelas dela, coisa que o autor já fez em outros livros, mas vai além disso, se aproximando na sensibilidade dos personagens. Ruth é uma professora sensível, mas ao mesmo tempo bem humorada, o que me deixou apaixonada pela personagem. E foi isso que me deixou emocionada. Na história, conhecemos um pouquinho sobre dela com um dos seus alunos, e eu não imaginei que pudesse ficar tão tocada com essa relação a ponto de ficar em prantos. Ponto pro Sparks.

Sophia é mais a mulher atual. Independente e que luta pelas coisas que quer, o que me fez simpatizar muito pela personagem. Luke, como todo protagonista alá Sparks, é um príncipe, embora com alguns defeitinhos que sempre vêm no pacote. A história dos dois é linda, daquelas típicas para suspirar. O cenário também é o mesmo já conhecido, só que dessa vez com mais vida no interior, o que foi interessante de se ler. 

Admito que no início não gostava da capa, apesar de ser uma das únicas que não segue o conhecido padrão Sparks, mas depois percebi a relação que ela tinha com a história. O livro é perfeitamente revisado, não encontrei erros. Não fiquei surpresa com o final, admito, mas não poderia ter ficado mais satisfeita. Nicholas conseguiu inovar, apesar de nos dar o tão conhecido romance água com açúcar, o que me agrada de mais. Leitura mais que recomenda. Um dos meus favoritos do autor.

"Afinal de contas, se existe um paraíso, nós nos encontraremos de novo, porque não existe um paraíso sem você”

 Beijinhos,
Câmbio e desligo.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Filme: Across The Universe

Across the Universe (Across the Universe) - Poster / Capa / Cartaz
Gênero: Drama/Romance/Musical
Direção:  Julie Taymor
Elenco: Evan Rachel Wood, Jim Sturgess
Tempo: 133min
Título Original: Across The Universe
Lançamento: 2007

O jovem estivador Jude (Jim Sturgess) sai de Liverpool em busca do pai, que mora nos Estados Unidos, e é envolvido pelo mar de mudanças que está transformando a nação norte-americana. Ele se apaixona por Lucy (Evan Rachel Wood), uma menina americana rica que participa do crescente movimento pacifista dentro da América, e os dois namorados, tão diferentes, vêem-se em um mundo psicodélico e enlouquecido.


Across The Universe é um filme diferente. Não só por ser um musical, mas sim por ser um musical com somente músicas dos Beatles. Sim o filme é embalado pelas mais famosas (ou nem tão famosas assim) canções da banda britânica, mas não é só isso que o torna diferente do que estamos acostumados a assistir. A temática, o cenário, a química entre o casal principal, os personagens, as músicas interpretadas de arrepiar... Até eu que não sou a maior fã de musicais fiquei encantada com a história.


Tudo começa quando Jude saí de Liverpool em direção aos Estados Unidos, na tentativa de encontrar seu pai que abandonou sua mãe grávida durante e guerra. Na faculdade onde esse trabalha, ele conhece Max, um jovem irresponsável que quer curtir o máximo possível. Rapidamente eles se tornam amigos, e Max apresenta Jude a Lucy, sua irmã mais nova, pelo qual ele se encanta.


As interpretações das músicas são incríveis. Acho difícil escolher uma favorita, mas me arrepiei inteira quando escutei Let It Be. A fotografia é maravilhosa, uma das mais belas que eu já vi, abusando das cores dando um toque mais psicodélico. Pode ser um pouco cansativo, pelo fato de ser muito longo, mas mesmo assim, vale a pena pra quem gosta de se deixar embalar. Achei bem interessante os fatos dos personagens terem nomes que já foram citados nas músicas dos Beatles, além de várias outras referências que vão além das musicais. Um filme mais que indicado pra quem gosta de Beatles e de histórias comoventes para se suspirar. Além disso, o Jim Sturgess está um amor nesse filme.




segunda-feira, 14 de julho de 2014

Uma Carta de Amor - Nicholas Sparks


Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 288
Classificação: 

Há três anos, a colunista Theresa Osborne se divorciou do marido após ter sido traída por ele. Desde então, não acredita no amor e não se envolveu seriamente com ninguém. Convencida pela chefe de que precisa de um tempo para si, resolve passar férias em Cape Cod. Durante a semana de folga, depois de terminar sua corrida matinal na praia, Theresa encontra uma garrafa arrolhada com uma folha de papel enrolada dentro. 
Ao abri-la, descobre uma mensagem que começa assim: “Minha adorada Catherine, sinto a sua falta, querida, como sempre, mas hoje está sendo especialmente difícil porque o oceano tem cantado para mim, e a canção é a da nossa vida juntos.” 
Comovida pelo texto apaixonado, Theresa decide encontrar seu misterioso autor, que assina apenas “Garrett”. Após uma incansável busca, durante a qual descobre novas cartas que mexem cada vez mais com seus sentimentos, Theresa vai procurá-lo em uma cidade litorânea da Carolina do Norte. Quando o conhece, ela descobre que há três anos Garrett chora por seu amor perdido, mas também percebe que ele pode estar pronto para se entregar a uma nova história. E, para sua própria surpresa, ela também. 
Unidos pelo acaso, Theresa e Garrett estão prestes a viver uma história comovente que reflete nossa profunda esperança de encontrar alguém e sermos felizes para sempre.


Eu tinha expectativas para Uma Carta de Amor. Na verdade, não tinha como não ter, já que minha mãe vivia elogiando o filme e disse que eu gostaria muito. Comecei o livro e passei três dias enrolando sem conseguir nem mesmo chegar na página cinquenta, até que um dia me forcei a tentar ler, pelo menos até a página cem. Aos poucos, o livro foi melhorando, e a leitura se tornando mais fácil e mais gostosa. O mais decepcionante de tudo, não foi o fato de eu ter demorado para pegar um ritmo bom na leitura, e sim o final extremamente frustrante.

Tudo bem que sendo leitora dos livros do Nicholas eu já deveria estar acostumada a me frustrar com o final, mas esse foi sem dúvidas, uma das minhas maiores decepções com o autor. Parece que somos levados a dar voltas e voltas junto com os personagens, e quando tudo se encaminha para algo do nosso gosto... puff. Simplesmente desaparece em um piscar de olhos. É justificável? Talvez, mas isso não impede que o sentimento de frustração desapareça no final da leitura.

Apesar de tudo, o Nicholas é um ótimo escritor, e acho que isso é a única coisa que ainda me leva a continuar lendo os seus livros. Ele pode não inovar em diversos pontos, mas carrega uma sensibilidade incrível na hora de escrever e criar os seus personagens. Theresa, por exemplo, é uma mulher forte e decidida, que conseguiu conquistar minha simpática ao decorrer da história. Garret demorou um pouco mais, já que diversas vezes fiquei entendiada com seu drama, foi mais para o final que eu consegui me conectar com o personagem.

A capa é bem padrão Sparks mesmo, sem nada de muito surpreendente. O livro foi muito bem revisado, não vi erros e as letras são de um tamanho confortável aos olhos. É um livro de tamanho razoável, então dependendo do ritmo de leitura, é bem rápido de se ler. É uma leitura que me decepcionou e me frustrou, e não conseguiu me emocionar, apesar de muitas frases bonitas e diálogos românticos. Acho ruim terminar um livro simplesmente como se fosse mais um livro, e infelizmente,  com Uma Carta de Amor, foi isso que me aconteceu.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Princesa Adormecida - Paula Pimenta

Princesa Adormecida
Autor(a): Paula Pimenta
Editora: Galera Record
Ano de lançamento: 2014
Páginas: 192
Classificação:  

Era uma vez uma princesa... Você já deve ter ouvido essa introdução algumas vezes, nas histórias que amava quando criança. Mas essa princesa sou eu. Quer dizer, é assim que eu fiquei conhecida. Só que minha vida não é nada romântica como são os contos de fada. Muito pelo contrário. Reinos distantes? Linhagem real? Sequestro? Uma bruxa vingativa? Para mim isso tudo só existia nos livros. Meu cotidiano era normal. Tá, quase normal. Vivia com meus (superprotetores) tios, era boa aluna, tinha grandes amigas. Até que de uma hora pra outra, tudo mudou. Imagina acordar um dia e descobrir que o mundo que você achava que era real, nada mais é do que um sonho. E se todas as pessoas que você conheceu na vida simplesmente fossem uma invenção e, ao despertar, percebesse que não sabe onde mora, que nunca viu quem está do seu lado, e, especialmente, que não tem a menor ideia de onde foi parar o amor da sua vida. Se alguma vez passar por isso, saiba que você não é a única. Eu não conheço a sua história, mas a minha é mais ou menos assim... 

Desde que li Fazendo Meu Filme me tornei leitora assídua dos livros da Paula Pimenta. Tive a chance de ler quase todas as obras da autora e fiquei muito ansiosa quando anunciaram o lançamento de Princesa Adormecida, que além de ter a capa linda (tem como não se apaixonar?) recontaria a história da minha princesa favorita. Ainda não tive a chance de ler O Livro das Princesas (coletânea de contos lançado pela Galera Record na qual a Paula contribuiu com uma releitura da história da Cinderela) mas vi sendo muito elogiado, o que só aumentou minhas expectativas para esse lançamento.

"Dizem que as lembranças dos nossos primeiros anos de vida são mesmo meio nebulosas. Não dá para saber se são verdadeiras ou se aquelas imagens foram criadas a partir de histórias que nos contaram ou de fotos que vimos... Usamos essas informações como se elas fossem parte da nossa própria memória."

Li o livro rapidamente (o que já imaginava, já que além de bem curtinho, a narrativa da Paula é tão gostosa que a gente nem vê as páginas passar...), mas contrariando minhas expectativas, não gostei tanto quanto esperava. É claro, gostei muito, o livro é fofo, mas ficou faltando algo, sabe? Em vários momentos, achei juvenil demais, é  fofo, mas ainda sim, muito juvenil. Talvez, tenha sido o fato te der ido com muita sede ao pote, mas não pude deixar de acabar o livro e ficar com a sensação de que não tive todas as minhas expectativas alcançadas.

Os personagens são fofos. Fiquei encantada pelos três tios de Anna Rosa (ou Áurea? Ainda não me decidi sobre como chamá-la haha) e pela sua amiga, Clara (que eu tive vontade de conhecer um pouquinho mais). Anna, também é uma personagens que logo conquistou meu carisma. Ela é fofa, inteligente e sonhadora, apesar de um pouco ingênua. Gostei muito da forma como a Paula criou uma personagem diferente das dos seus livros anteriores. O mocinho também é uma gracinha... Fofo, fofo, fofo.

Em determinado momento, temos uma "aparição" da DJ Cinderela (se você leu O Livro das Princesas vai lembrar dela, se não - assim como eu -, com certeza vai ficar morrendo de vontade de conhecer mais sobre a sua história). Eu gostei, achei muito criativo da parte da Paula introduzir a personagem na situação, e principalmente, sem dar Spoiler da história desta. Ou seja, se você não leu O Livro das Princesas, não tem problema ler Princesa Adormecida, mas mesmo assim, eu gostaria de ter lido esse antes. 

A capa é incrível de tão linda. Passei um tempão só admirando a arte maravilhosa que fizeram. E os detalhes só deixam tudo mais perfeitinho. A letra é grande e as páginas são grossas e amareladas, o que facilita as coisas. Tudo está perfeitamente revisado, não reparei em nenhum erro. A editora está de parabéns por todo o trabalho. 

“Amor. Por mais que ele estivesse brincando, meu coração deu um salto. Céus, isso é o que acontece quando você passa a vida inteira reclusa, sem ter contato com meninos: uma carência do tamanho do mundo! Um cara me manda uma mensagem por engano e eu já fico toda derretida!”

Achei bem criativa a forma como a Paula adaptou a história d'a Bela Adormecida para os dias atuais. Isso, sem que ficasse tão irreal. A personagem mesmo, várias vezes se contesta sobre o fato de parecer que sua história foi tirada de um livro infantil e a preocupação dos tios foi retratada de uma forma em que eu realmente achasse que fosse possível algo parecido acontecer. 

É um livro bem jovem, talvez, por isso eu não tenha gostado tanto quanto esperado. Com certeza, todas as adolescentes e pré-adolescentes vão se encantar por essa história fofa de contos de fadas, e por ser um livro bem curto e de narrativa fácil, a leitura é ainda mais gostosa, daquela que acaba sem perceber, e quando você menos espera já está sentindo saudade dos personagens... Aquelas histórias para ficar suspirando e sonhando muito tempo depois de ter terminado.

domingo, 6 de julho de 2014

Sentados no Sofá: A Culpa é das Estrelas

A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars) - Poster / Capa / Cartaz
Gênero: Drama/Romance
Direção:  Josh Boone
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort
Tempo: 125min
Título Original: The Fault in our Stars
Lançamento: 2014

Diagnosticada com câncer, Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando com a doença, a jovem é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio e logo conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que vai mudar completamente a sua vida.

Quando fui assistir A Culpa é das Estrelas, não tinha muita noção do que esperar, e certamente fui surpreendida por um filme que conseguiu misturar comédia, romance, drama, de forma sensível e envolvente. Desde os diálogos bem humorados, até as mais tristes e emocionantes cenas de cortar o coração, o filme prende nossa total atenção, e apesar de ser longo, não ficamos entediados um momento sequer.

Shailene interpreta Hazel lindamente, mas esse filme, com certeza foi do Ansel. Ele rouba a cena, e torna o personagem mais carismático do que já é. Não consigo pensar em pessoa melhor para interpreta-lo.  Os diálogos são bem parecidos com os dos livro, o que só torna tudo mais emocionante. Na verdade, o filme inteiro carrega uma fidelidade intensa, tenho certeza de que todos os leitores terão suas expectativas atendidas. 

Além disso, o casal principal tem uma química incrível, principalmente por já terem trabalhado juntos em outro filme, embora em situações diferentes. A Trilha sonora consegue absorver todos os sentimentos da cena, e tornar tudo ainda mais tocante. O cenário é lindo, principalmente quando a câmera passeia por Amsterdã e somos apresentados a uma palheta de cores fortes e expressivas.


Como adaptação, A Culpa é das Estrelas é um prato cheio para todos os leitores, já que mistura todos os sentimentos sentidos no livro com uma trilha sonora maravilhosa e interpretações mais maravilhosas ainda. Mas, além disso, como filme, consegue entreter e emocionar, sem se tornar falso ou forçado. Não poderia ter sido mais lindo e encantador. Amei. 

domingo, 29 de junho de 2014

Sentados no Sofá: Ela

Ela (Her) - Poster / Capa / CartazGênero: Drama/Romance
Direção:  Spike Jonze
Elenco: Joaquim Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams
Tempo: 125min
Título Original: Her
Lançamento: 2013

Em um futuro próximo na cidade de Los Angeles, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro.

"Ela" era o filme da temporada do Oscar pelo qual eu estava mais curiosa. Ainda mais quando ele levou a estatueta de Melhor Roteiro Original. E não é para menos, o roteiro é belíssimo... aliás, todo o filme é muito belo. A forma sensível e linda com qual o amor é tratado, é encantadora. É difícil descrever esse filme, porque todas as situações são narradas de uma forma tão sensível, e a fotografia é tao delicada, os diálogos são intensos e reais. Totalmente encantador.

O interessante, é a mistura perfeita que o filme tem entre romance e ficção. O elenco também está de se encantar. Joaquim consegue passar toda a angústia e paixão de Theodore, um personagem muito solitário, e muitas vezes faz com que esquecemos que aquilo não é real, e que ele está, na verdade, interpretando alguém. Scarlett, embora não apareça, é a dona da voz de Samantha, e através de sua voz, conseguimos sentir todos os sentimentos da personagem.

Desde o início, Ela chama atenção por ser diferente, sensível, inteligente e nos fazer questionar coisas e sentimentos dentro de nós mesmos. Estatueta mais do que merecida, atuações maravilhosas, fotografia sensível, roteiro intenso e delicado. Várias são os sentimentos que esse filme consegue transmitir. Genialmente belo. Tão belo, que deveria ser um crime não ser assistido. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Escolha - Kiera Cass

A Escolha
Contém Spoilers dos primeiros livros da Trilogia 

Autor(a): Kiera Cass
Editora: Editora Seguinte
Ano de lançamento: 2014
Páginas: 352
Classificação:  

A Seleção mudou a vida de trinta e cinco meninas para sempre. E agora, chegou a hora de uma ser escolhida. America nunca sonhou que iria encontrar-se em qualquer lugar perto da coroa ou do coração do Príncipe Maxon. Mas à medida que a competição se aproxima de seu final e as ameaças de fora das paredes do palácio se tornam mais perigosas, América percebe o quanto ela tem a perder e quanto ela terá que lutar para o futuro que ela quer. Desde a primeira página da seleção, este best-seller #1 do New York Times capturou os corações dos leitores e os levou em uma viagem cativante ... Agora, em A Escolha, Kiera Cass oferece uma conclusão satisfatória e inesquecível, que vai manter os leitores suspirando sobre este eletrizante conto de fadas muito depois da última página é virada.

Depois de me decepcionar com A Elite, minhas expectativas para A Escolha não eram tão grandes. Eu estava curiosa, mas não ansiosa. Essa semana ganhei de aniversário de um amigo, e decidi passá-lo na frente dos outros, pelo grande burburinho que ele vem causando na blogosfera e pelos comentários positivos. Bastou uma sentada para que eu passasse da metade de A Escolha, virando as páginas sem perceber. O livro já começa com um ritmo de tirar o fôlego. E não é para menos, afinal, esse livro deveria explicar as perguntas que vinhamos nos fazendo desde o começo da trilogia, e admito que essa era uma das minhas maiores preocupações. Não tinha certeza de que a autora conseguiria explicar tudo em pouco mais de 300 páginas. 

Lute America, Você talvez não queria lutar pelas mesmas coisas que a maioria deseja, como dinheiro e sucesso. Ainda assim, lute. Não importa o que você deseja, America, vá atrás com todas as suas forças.

Me surpreendendo, a autora conseguiu se sair incrivelmente bem. Claro, ainda ficaram algumas perguntas no ar, pontinhas soltas que incomodam, mas o mais importante, a história principal, Kiera conseguiu resolver muito bem. Ela também coloca algumas surpresas no meio, e várias vezes fiquei com cara de "Como assim?!", o que é claro, só deixa a história ainda melhor. Celeste, por exemplo, foi uma das melhores surpresas. Bem no fundo, eu sempre gostei do jeito "sou Diva mesmo e não ligo pra você" dela, e esse livro só serviu para reforçar o meu sentimento pela personagem ( *lágrimas*), mesmo que eu ache um pouco estranho essa mudança enorme na personagem, assim, tão de repente.

Apesar de America ainda me irritar algumas vezes, não foi nada perto do sentimento que tive por ela em A Elite. Nesse livro ela está mais decidida sobre o que quer, e apesar de algumas pontinhas de hesitação, a personagem está mais centrada. Pelo menos o bastante para sair um pouquinho daquele "não sei com quem eu vou ficar" que tanto me irritou no livro anterior. Maxon também se mostrou muito mais maduro. Ele finalmente começa a se impor, e são vários os momentos que me fizeram suspirar. Aspen, que sempre achei muito sem graça, também ganhou um bom espaço (o suficiente para se posicionar um pouco na história) e eu não poderia ficar mais feliz com o desfecho do triangulo amoroso escolhido pela autora.

- Ficamos próximos, mas então acontece algo que nos afasta. E você nunca parece capaz de tomar uma decisão. Se você me quer tanto quanto diz, por que isso aqui ainda não acabou?
- Porque em metade do tempo eu tinha certeza de que você amava outra pessoa e, na outra, duvidava que você fosse me amar um dia

As últimas cem páginas me deixaram angustiada. Não só pelas reviravoltas repentinas, mas principalmente pelo banho de sangue. Já tinha lido sobre isso em algumas resenhas e até pegado alguns Spoilers de quem daria bye bye para a história, mas certamente não estava preparada para isso. A autora matou muita gente, e isso me incomodou. As mortes são rápidas, sem detalhes e principalmente, uma atrás da outra, ou seja, não dá nem tempo de sentir o choque da perda, porque outra pessoa já morre em seguida.

A narrativa da Kiera sempre foi algo que me agradou muito (apesar da America me dar nos nervos algumas vezes). A autora consegue conduzir a estória de forma que viramos as páginas rapidamente. Eu mesma não consegui parar até que tivesse terminado. Apesar de eu achar que teria muito mais distopia nesse livro, ela não foi totalmente explorada. A distopia é apenas o plano de fundo para a história, mas fica bem longe de ser o tema principal, então não tenha expectativas em relação a isso. Temos muito romance, o que sempre foi uma marca da autora e que deixa a história toda fofa *suspiro*.

A capa é lindíssima, devo ressaltar. Segue o padrão das outras duas (que eu amo) e as três combinam perfeitamente na estante. A diagramação também está perfeita, sem erros na revisão, com as coroas fofas no inicio do capítulo e a fonte em um tamanho bom para se ler sem cansar. O título traduzido também foi uma ótima escolha (trocadilho tosco hahaha). O livro não se trata só da escolha do Maxon, mas sim da escolha de todos os protagonistas, escolhas que movem e mudam a história a todo o momento.

É difícil terminar uma trilogia e dar adeus a personagens (por mais que eu quisesse estrangula-los em vários momentos) que se tornaram amigos ao decorrer da leitura. E apesar de ter sido cheia de altos e baixos, e estar longe de ser uma das minhas favoritas, sempre vou falar da trilogia A Seleção me sentindo satisfeita por (mesmo que em apenas três livros) a autora ter sido capaz de encher minha cabeça com uma história de amor que vai muito além do tão conhecido "Felizes para Sempre...". Termino esta resenha (e a trilogia) com o coração pesado e um sorriso no rosto. 

Tchau, Maxon. Tchau, America. Vou sentir saudades de vocês, apesar de tudo.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O Guardião - Nicholas Sparks

O Guardião
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 344
Classificação: 

Quarenta dias após a morte de seu marido, Julie Barenson recebe uma encomenda deixada por ele. Dentro da caixa, encontra um filhote de cachorro dinamarquês e um bilhete no qual Jim promete que sempre cuidará dela. Quatro anos mais tarde, Julie já não pode depender apenas da companhia do fiel Singer, o filhotinho que se tornou um cachorro enorme e estabanado. Depois de tanto sofrimento, ela enfim está pronta para voltar a amar, mas seus primeiros encontros não são nada promissores. Até que surge Richard Franklin, um belo e sofisticado engenheiro que a trata como rainha. Julie está animada como havia muito tempo não sentia, mas, por alguma razão, não consegue compartilhar isso com Mike Harris, seu melhor amigo. Ele, por sua vez, é incapaz de esconder o ciúme que sente dela. Quando percebe que o desconforto diante de Mike é causado por um sentimento mais forte que a amizade, Julie se vê dividida entre esses dois homens, ela tem que tomar uma decisão. Só que não pode imaginar que, em vez de lhe trazer felicidade, essa escolha colocará sua vida em perigo. O Guardião contém tudo o que os leitores esperam de um romance de Nicholas Sparks, mas dessa vez ele se reinventa e acrescenta um novo ingrediente à trama: páginas e mais páginas de suspense.

Que Nicholas Sparks é bom em escrever romances melosos para mulheres morrerem de chorar comendo chocolate todo mundo sabe, mas acrescente uma boa dose de suspense a essa mistura. Será que isso dá certo? E aqui vai a resposta, minha gente, dá muito certo. E se eu já tinha ideia disso lendo Um Porto Seguro, foi só terminar O Guardião para que isso se tornasse uma certeza. O cara é realmente bom no que faz, e misturar romance com suspensa só faz com que as páginas passem mais rapidamente e que ficamos sem fôlego e é claro, sem unhas (eu deveria cobrar uma manicure por todas as vezes que titio Sparks me deixou dessa forma). E no final, não teve como não terminar em lágrimas.

Após quarenta dias da morte do marido, Julie recebe uma caixa com um filhote de cão dinamarquês dentro, e junto desse, uma carta do marido, dizendo que mesmo longe, estará sempre protegendo-a. Se passam quatro anos, e Julie finalmente se sente forte para começar um novo relacionamento. Depois de sair com vários caras e quase desistir, ela conhece Richard, um homem aparentemente perfeito. Mas Mike, seu melhor amigo, que é totalmente apaixonado por ela, não consegue gostar de Richard e muito menos Singer, seu já crescido cão. Julie então passa a descobrir sentimentos até então desconhecidos por Mike, e precisa fazer uma escolha, uma escolha que pode colocar sua vida em perigo.

E não se preocupe. De onde estiver, cuidarei de você. Serei seu anjo da guarda. Pode contar comigo para protegê-la

Ainda tem muito "amor meloso", o que é a característica (que eu amo, admito) do Sparks. Mas a medida em que ele vai acrescentando suspense, tudo vai ficando cada vez melhor, especialmente as cem últimas páginas, que para mim, foram impossíveis de largar. A escrita de Sparks vêm evoluindo muito, e confesso que ele me surpreendeu bastante nesse livro. É tudo simples, mas mesmo assim ele dá muita emoção as páginas. Os personagens também são no já conhecido estilo Sparks, mas ele consegue criar outros bem mais complexos, como Richard, e alguns que eu gostaria que tivessem mais espaço, como Jennifer. Mais uma vez o autor aposta na terceira pessoa, o que eu achei uma boa jogada, já que assim temos uma visão maior de todos os personagens e da história em si, o que parecia ser o objetivo. 

A capa também segue o padrão dos livros do autor, e encontrei poucos erros, nada que atrapalhasse muito a história. Apesar de ter me lembrado um pouco Um Porto Seguro, eu diria que isso foi somente no teor suspense, já que em todo o resto o autor consegue criar uma história original e de tirar o fôlego. E o interessante, é que ele também trabalha o relacionamento entre animais de estimação, o que eu achei diferente, e fofo. O título foi uma boa sacada, apesar de no meio eu já ter descoberto (hehe).

Mesmo tendo chorado no fim e amaldiçoado até a quinta geração do Nicholas por ele, admito que eu adorei. Não entrou pros meus favoritos do autor, mas me deixou emocionada. Pode não surpreender muito quando se trata do final, mas realmente foi ótimo para conhecermos um lado mais sombrio de Nicholas escrever. E eu realmente espero que ele trabalhe mais esse lado. 

"O mundo fica melhor quando você sorri"

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Culpa é das Estrelas - John Green

A Culpa é das EstrelasAutor(a): John Green
Editora: Intrínseca
Ano de lançamento: 2012
Páginas: 288
Classificação: 

A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.

Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar. 

Apesar de ter lido este livro a bastante tempo, só agora me veio a coragem para resenha-lo. Apesar de ter amado, não consegui encontrar as palavras para descrever todo o sentimento que ele conseguiu me passar. E é aproveitando o gás do filme (que lança amanhã), que eu finalmente tomei coragem para escrever esta resenha. 

“Faltando pouco para eu completar meu décimo sétimo ano de vida minha mãe resolveu que eu estava deprimida, provavelmente porque quase nunca saía de casa, passava horas na cama, lia o mesmo livro várias vezes, raramente comia e dedicava grande parte do meu abundante tempo livre pensando na morte.”

A Culpa é das Estrelas, é sem dúvidas nenhuma, o livro mais badalado do momento. Além de ser um dos mais postados nas redes sociais, vêm incentivando positivamente a leitura para os jovens desta geração. Vi amigos meus que nunca que tinham tocado em um livro se interessarem por ACÉDE, lerem este e gostarem. Agora, tenho orgulho de dizer que eles se tornaram leitores assíduos. Com uma escrita inteligente, bem humorada e com uma pequena pitada de drama (que me fez chorar horrores nas últimas páginas), John Green se torna um dos escritores mais queridos da atualidade.

Você com certeza já viu essa história em algum lugar. Em algum filme, livro, música. Ela não é nem uma novidade. O que explica o sucesso estrondoso dessa obra então? Os personagens, frases de efeitos, narrativa irônica, ácida, o realismo imposto em tudo. A filosofia e as metáforas que o livro transpira. As passagens que nos fazem suspirar, e aquelas que nos fazem chorar. O livro inteiro, foi muito bem trabalhado pelo autor, e o sucesso é apenas uma consequência da dedicação enorme deste.

"Esse é o problema da dor – o Augustus disse, e aí olhou pra mim. ─ Ela precisa ser sentida".

Hazel é uma protagonista forte. Ela se acostumou com a sua doença e com o fato de que vai acabar morrendo, mas mesmo assim, tenta ser o mais forte possível para os seus pais. Essas, para mim, são uma das partes mais emocionantes do livro. O relacionamento de Hazel com a mãe e o pai várias vezes deixou os meus olhos marejados, e imagino que se fosse comigo, não seria muito diferente. Gus realmente dispensa comentários. Ele é aquele protagonista que me fez ficar encantada e sofrendo por não existir na vida real. Seu humor inteligente e frases memoráveis me emocionaram sem igual.A escrita de John é muito cativante. Virei a noite lendo, porque quando peguei, realmente não quis largar. 

A Culpa é das Estrelas é emocionante, belo e tocante, mas mesmo assim, as expectativas podem prejudicar. Da mesma forma que conheço pessoas que leram e amaram, conheço pessoas que leram e não entenderam o porquê de tanto "auê", mas isso pode acontecer com qualquer livro, até mesmo os menos conhecidos. Markus Zusak não podia ter mais razão ao dizer que "Você vai rir, vai chorar, e ainda vai querer mais". 

“Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações.”

domingo, 1 de junho de 2014

Sentados no Sofá: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind) - Poster / Capa / CartazGênero: Drama/Romance
Direção:  Michel Gondry
Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Mark Ruffalo
Tempo: 108min
Título Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Lançamento: 2004

Ao descobrir que sua ex-namorada se submeteu a um tratamento experimental para apagá-lo de suas lembranças, Joel decide passar pelo mesmo processo. Porém, durante a experiência, ele percebe que não quer esquecê-la.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é um dos meus filmes favoritos. Não é exagero eu dizer que é praticamente uma obra de arte filmada. Sensível, belo, com um toque cômico extremamente encantador, misturado com atuações magnificas, que dão incrivelmente certo. O roteiro é inovador, apesar de confuso, mas a mensagem é bela se entendida.

A principal surpresa é Jim Carrey. Se você espera as típicas caretas dos filmes batidos de comédia, passe longe. Sua atuação é inovadora e surpreendente, muito diferente do que estamos acostumados a assistir. Gostaria muito de vê-lo interpretar outros dramas. Kate brilha, sem exageros. Ela se entrega de um jeito incrível ao papel, uma das suas melhores atuações. Kirsten, para uma coadjuvante também rouba a cena, junto com Elijah, Mark Ruffalo é um dos meus atores favoritos, mas é ofuscado pelo papel de todos os outros, que estão excepcionais.

As cores são mostradas de forma intensa, o que só aumenta a sensibilidade imposta pelo filme. A mensagem fica imposta, fazendo com que refletimos ao longo, e ao final do filme. Não quero me estender muito, pois acho que a premissa em si já fala mais do que eu sou capaz de dizer, só quero reforçar que é, com certeza um dos romances mais belos já interpretado e criado pela sétima arte. Muito bem elaborado e trabalhado, pode até parecer massante em determinadas passagens, mas vale a pena. Incrivelmente belo.

''Quão feliz é o destino de um inocente sem culpa. O mundo em esquecimento pelo mundo esquecido. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Cada orador aceito e cada desejo renunciado.''

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quem é Você, Alasca? - John Green

Quem é Você, Alasca?Autor(a): John Green
Editora: WMF Martin Fontes
Ano de lançamento: 2010
Páginas: 229
Classificação: 

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".

Quem é você, Alasca? É um livro diferente de tudo o que eu já li. E não é só por fazer refletir e repensar sobre nossas vidas - e sobre nós mesmo - mas também por tratar a adolescência de uma forma tão real e crua, que só tem a acrescentar em uma leitura emocionante, cômica e muitas vezes... simples. A simplicidade do livro, talvez seja o que mais lhe acrescenta. Não temos uma trama sobre alienígenas, uma distopia, ou adolescentes fúteis. É apenas um garoto que busca descobrir algo muito maior que ele mesmo e nesse caminho encontra pessoas maravilhosas, e acredito que muitas pessoas não tenham gostado por justamente isso. São só adolescentes pregando trotes e vagabundeando pela escola. Simples. Nada novo, nada inovador, nada chamativo, então o que torna 'Quem é Você, Alasca?' especial? A simplicidade. Sem exageros, sem informações demais. Tudo ali é importante, necessário. É real, justamente, por não ser exagerado. As vezes, menos mais, e nesse caso, com certeza esse ditado se encaixou perfeitamente.

“Mas que diabos significa “instantâneo”? Nada é instantâneo. Arroz instantâneo leva cinco minutos, pudim instantâneo uma hora. Duvido que um instante de dor intensa pareça instantâneo.”


"Quem é Alasca?" - a pergunta permaneceu ao meu lado o tempo inteiro. Alasca é uma personagem tão complexa, que as 230 páginas não foram capaz de responder. E em algumas determinadas páginas, não teve como não me identificar com ela. Não só com a Alasca impulsiva, corajosa, egocêntrica, misteriosa, mas principalmente, com a Alasca que tem medo, chora e procura a saída do labirinto. Miles e Coronel também. Eles tem defeitos e se arrependem, mas isso os tornam quem são, e isso os tornam reais. Não consegui terminar a leitura sem sentir saudade desses personagens, que me acompanharam em tão poucas páginas, mas se tornaram... Especiais, simplesmente por serem humanos.

“Se pararmos de desejar que as coisas perdurem, não iremos sofrer quando elas desmoronarem.”

Quem já leu algo do John Green deve saber da sua narrativa gostosa e inteligente, o que faz com que a leitura seja tão rápida e prazerosa. Se vocês leram A Culpa é das Estrelas (o mais famoso do autor), não leiam esse imaginando que vão encontrar uma Hazel ou Gus. Não, nem perto disso. Se lê-lo com esse pensamento, garanto que tem uma grande chance de se decepcionar. São livros totalmente diferentes, e compará-los só tiraria o mérito de duas lindas obras.

“Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar este futuro é o que nos impulsiona para frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente”.

O final. Ah, o final. Talvez tenha sido um dos mais inteligentes que eu já tenha lido. Algumas perguntas ficam sem repostas, mas isso é realmente ruim? Para falar a verdade... não. As perguntas me fizeram pensar, refletir, sobre diversos assuntos, e sei que é por isso que Quem é você, Alasca? é tão especial. Mesmo depois da última página virada, é difícil não se lembrar da história. Mesmo que os personagens não tenham sido os melhores. Mesmo que a história não tenha sido atrativa ou revolucionária. Tenho certeza de que me lembrarei desse livro, simplesmente porquê ele cria uma filosofia linda.

“Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então, voltei para o meu quarto e desabei no beliche debaixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era a garoa e ela, um furacão.”

Como resenhar um livro que foi tão especial para você? Bem, eu realmente não sei, mas tenho que dizer que 'Quem é você, Alasca?" conquistou um lugar na minhas lista de favoritos. Ele é inteligente, real, triste, cômico, jovem, simples, e ouso dizer, especial. Um livro que consegue englobar todos esses tipos de sentimentos em tão poucas páginas é especial. Superou minhas expectativas. 

"Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos."

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A Elite - A Seleção #2 - Kiera Cass


Essa resenha CONTÉM Spoilers do livro anterior, então leia por sua conta e risco.

*Resenha de A Seleção



Autor(a): Kiera Cass
Editora: Seguinte
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 360
Classificação: 

A Seleção começou com 35 garotas. Agora restam apenas seis, e a competição para ganhar o coração do príncipe Maxon está acirrada como nunca. Só uma se casará com o príncipe Maxon e será coroada princesa de Illéa. Quanto mais America se aproxima da coroa, mais se sente confusa. Os momentos que passa com Maxon parecem um conto de fadas. Quando ela está com Maxon, é arrebatada por esse novo romance de tirar o fôlego, e não consegue se imaginar com mais ninguém. Mas sempre que vê seu ex-namorado Aspen no palácio, trabalhando como guarda e se esforçando para protegê-la, ela sente que é nele que está o seu conforto, dominada pelas memórias da vida que eles planejavam ter juntos.

America precisa de mais tempo. Mas, enquanto ela está às voltas com o seu futuro, perdida em sua indecisão, o resto da Elite sabe exatamente o que quer — e ela está prestes a perder sua chance de escolher. E justo quando America tem certeza de que fez sua escolha, uma perda devastadora faz com que suas dúvidas retornem. E enquanto ela está se esforçando para decidir seu futuro, rebeldes violentos, determinados a derrubar a monarquia, estão se fortalecendo — e seus planos podem destruir as chances de qualquer final feliz.

Depois de uma "ressaca" de As Crônicas do Gelo e Fogo, eu queria algo leve. E como falta pouco tempo para o lançamento de "A Escolha" e eu ainda não tinha nem A Elite, sabia que seria uma ótima oportunidade para colocar a leitura em dia e ainda ler algo leve. Eu gostei de A Seleção. Gostei muito. E isso tornava a tarefa de não criar expectativas difícil, já que tudo parecia conspirar para eu gostar mais ainda de A Elite. Infelizmente isso não aconteceu. Apesar de ter devorado rapidamente (pontos para Kiera Cass pela narrativa tão atraente que quase não dormi), muitas vezes senti vontade de fechar o livro, pois a atitude irritante de alguns personagens quase ofuscaram os ótimos momentos da leitura (que apesar de tudo, ainda são muitos). Mesmo assim, ainda pude apreciar a sensação de fechar o livro com um grande sorriso satisfatório.

"Não importava o que viesse, eu enfrentaria. Tinha que enfrentar"

Os personagens (que foram a melhor coisa em A Seleção) estavam confusos. Maxon foi minha maior decepção. Quando li o livro anterior, me encantei por ele e tinha certeza de que ele permaneceria para sempre na minha lista de Maridos Literários, mas o Maxon desse livro... Parecia quase outro. De certa forma, foi bom, para ele não se mostrar sempre "O Príncipe Perfeito", mas as suas atitudes algumas vezes iam contra aos ideias do personagem que eu havia conhecido. Claro, havia momentos em que ele voltava a ser incrivelmente fofo e eu me derretia, mas na maioria das vezes, eu simplesmente não o reconhecia e isso foi uma grande (ENORME!) decepção. Ainda não li O Príncipe (conto de sua narração, que acontece antes de A Seleção), mas pretendo fazer. Talvez isso me ajude a entender melhor o que aconteceu com o personagem - ou talvez não - mas mesmo assim, não acho que sua personalidade voltará a ser tão marcante para mim como havia sido no primeiro livro.

"Toda hora, eu olhava para o meu coração e comparava Maxon e Aspen, mas nenhum deles se sobressaía. A não ser, talvez, quando eu estava sozinha com um deles. Neste exato momento, por exemplo, eu estava tentada a prometer à Maxon que ficaria a seu lado no final."

America, que tinha se mostrado uma protagonista incrível me irritou bastante, e por o livro ser narrado por ela, fiquei me perguntando onde aquela garota que tinha me encantado tinha ido parar. Tudo o que mais me fazia gostar nela, me fez odiá-la. Ao mesmo passo que eu queria que as coisas acontecessem ao seu favor, pro conta de seu senso de justiça que eu admiro, eu queria que ela se ferrasse para ver, se em algum momento, ela acordava e percebia que nem tudo girava em torno de sua decisão. Hello, tem coisas acontecendo, rebeldes estão invadindo o palácio, garotas estão lutando pela coroa com unhas e dentes enquanto você fica ai dando sopa e se lamentando, porque você é uma Cinco e sofreu mais que as outras e bláblá... Poxa, América. Acorda, nem tudo gira em torno de você.

"Tempo. Eu vinha pedindo muito tempo ultimamente.
Tenho a esperança de que se tivesse tempo suficiente, tudo ia se resolver.”

Tudo isso significa que eu mudei de Team? Não sei, já que ainda não consegui formar uma opinião sobre Aspen, mesmo tendo achado que o faria, mas ele não se posicionou em nenhum momento, e isso não conseguiu me conquistar. Talvez eu mude de ideia ao ler O Guarda (Conto de sua narração que se passa durante A Elite), mas ainda não sei.... Ainda gosto muito de Maxon, gosto verdadeiramente dele (Dele mesmo, não esse que veio parar no seu lugar na maior parte desse volume). Mas não só suas atitudes, mas as de America, me fizeram questionar muita coisa...  No fundo, ainda torço por Maxon, não importa o que tenha acontecido com ele. Mas para mim, um "Como" vale muito mais do que um "Quem" nesta história. E espero sinceramente que a autora pense como eu.

"De repente me lembrei que Aspen sempre foi assim. Ele sacrificou noites de sono por mim, arriscou ser pego depois do toque de recolher por mim, juntava moedas para mim. A generosidade de Aspen era mais difícil de ser vista porque não era tão grandiosa quanto a de Maxon, mas o sentimento por detrás do que ele cedeu era muito maior."


Se alguém aqui leu minha resenha do primeiro livro da Série, deve saber que eu disse quase não estava presente no livro. Ela existia, mas era apenas um plano de fundo para que o romance pudesse acontecer. Neste livro, a Distopia está de volta, porém de forma mais audaciosa e forte que no outro livro, ainda não é um Jogos Vorazes, e não faria sentido se fosse, mas a mudança foi boa o bastante para instigar sobre tudo o que isso significa. Isso foi uma das coisas que mais gostei, pois saímos da atmosfera do “romance” para sermos levados até um cenário mais real e curioso. O que me preocupa é que ao invés de a autora responder algumas (pelo menos algumas, né Kiera) das perguntas, ela me deixou mais confusa ainda, e não sei se o próximo livro dará conta de responder tudo sem que fique confuso ou bagunçado.

"Não era como se a minha presença fizesse o mundo dele mais feliz. A sensação que eu tinha era de ser o mundo dele."

Ela também foi muito audaciosa ao fazer algo que eu nunca esperaria com uma das minhas personagens favoritas. Fiquei chocada e chorosa (chorosa é pouco pra descrever), mas admito que admiro o que a autora conseguiu fazer de forma que não ficasse muito irreais. Apesar de ter me irritado com America, a autora soube construir bem a narrativa, como eu já disse, e as coisas simplesmente fluem, enquanto as páginas passam rápido demais. Apesar da narrativa gostosa, o que incomodou bastante foi o fato do livro ser tão inconstante que chegava a ser um pouco chato. Claro, ninguém gosta de uma trama parada e sem surpresas. Mas as coisas acontecem rápido e várias vezes. Nem consegui contar quantas vezes America promete o coração a Aspen e no capítulo seguinte já faz o mesmo com Maxon... Isso... Essa oscilação nos sentimentos da personagem me fez ficar cansada da história e muitas vezes achá-la imatura (E olha que eu só tenho treze anos...) e no final, foi isso que mais me incomodou no livro.

"Como quando eu penso que eu entendo o que está acontecendo comigo, e então algo muda, e os meus sentimentos mudam”.

A capa é linda. Eu simplesmente me encantei pelo padrão criado. A cor é chamativa e combina com o primeiro volume perfeitamente. A editora trabalhou bem na diagramação. Não encontrei nem um errinho e se teve, passou totalmente despercebido. As letras são de um tamanho bom e as páginas são amarelas. Além do mais, cada capítulo começa com uma coroa incrivelmente fofa.

" Você tem alma de líder, America. Você tem uma boa cabeça, tem vontade de aprender; tem ainda o que talvez seja mais importante: compaixão. Isso é algo de que esse país carece mais do que você imagina. Se você quer a coroa, America, aceite-a. Porque ela deve ser sua. "

Estou curiosa para A Escolha. Não tem como não ficar, porque a trilogia tem muito potencial, além de ser divertida. Claro, é decepcionante para mim, tendo em vista que tudo começou tão bem e poderia ter sido muito melhor, mas não foi ruim. Estou um pouco apreensiva, pois acho que vai ser muita informação para se tratar em apenas um livro (a não ser que ele seja enorme, mas não é padrão da série) mas ainda acho que a autora tem a chance de fechar muito bem a Trilogia, e espero que o faça. Talvez vocês não concordem com a minha opinião, tendo em vista que muita gente gostou mais desse livro, mas mesmo parando para refletir sobre as coisas, não consegui ter outros sentimentos se não os que formam escritos aqui. 

"Mas o ponto importante não era como eu me sentia com relação ao problema; era o que eu faria com ele."