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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Uma Longa Jornada - Nicholas Sparks

Uma Longa Jornada
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 361
Classificação: 

Aos 91 anos, com problemas de saúde e sozinho no mundo, Ira Levinson sofre um terrível acidente de carro. Enquanto luta para se manter consciente, a imagem de Ruth, sua amada esposa que morreu há nove anos, surge diante dele. Mesmo sabendo que é impossível que ela esteja ali, Ira se agarra a isso e relembra diversos momentos de sua longa vida em comum: o dia em que se conheceram, o casamento, o amor dela pela arte, os dias sombrios da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos sobre eles e suas famílias.
Perto dali, Sophia Danko, uma jovem estudante de história da arte, acompanha a melhor amiga a um rodeio. Lá, é assediada pelo ex-namorado e acaba sendo salva por Luke Collins, o caubói que acabou de vencer a competição.
Ele e Sophia começam a conversar e logo percebem como é fácil estarem juntos. Luke é completamente diferente dos rapazes privilegiados da faculdade. Ele não mede esforços para ajudar a mãe e salvar a fazenda da família. Aos poucos, Sophia começa a descobrir um novo mundo e percebe que Luke talvez tenha o poder de reescrever o futuro que ela havia planejado. Isso se o terrível segredo que ele guarda não puser tudo a perder.
Ira e Ruth. Luke e Sophia. Dois casais de gerações diferentes que o destino cuidará de unir, mostrando que, para além do desespero, da dificuldade e da morte, a força do amor sempre nos guia nesta longa jornada que é a vida.

Fazia um tempão que eu não chorava com um Sparks... Eu até derramava uma lágrima ou outra, e conseguia gostar, mas chorar, verdadeiramente, de modo a me sentir extramente tocada como aconteceu com esse livro, fazia muito tempo. Uma Longa Jornada me deixou chorando horrores, e acreditem se quiser, nem foi pelo motivo que eu deveria ter chorado. Confuso, não? Mas vou tentar explicar nesta resenha.

"Ela era excepcional; eu era mediano, um homem cuja maior realização na vida foi amá-la sem limites,e isso nunca mudará."

O livro conta duas histórias paralelas. A primeira dessas é a de Ira Levinson, um idoso de 91 anos, que acabou de sofrer um acidente de carro no meio do nada, e não tem ninguém que possa dar sua falta. Sua única companhia é o fantasma de sua esposa Ruth, que lhe da forças para continuar a viver. Eles começam a relembrar o passado, fato que o mantém lúcido por algumas horas. A outra história é a de Sophia Danko, uma estudante de história da arte que acaba de terminar um relacionamento. Sua amiga a convence a ir até um rodeio para se divertir. Sophia concorda relutante, e por não estar obviamente se divertindo, sai para tomar um ar. Lá fora, ela é assediada pelo seu ex-namorada, e defendida pelo peão Luke Collins, pelo qual, mesmo sem querer, se vê encantada e curiosa.

Eu sempre digo isso nas minhas resenhas de livros de Sparks, que apesar de ele não inovar o padrão, o mais gostoso dos livros dele são as narrativas sensíveis. E nesse livro, elas continuam, só que de forma diferente. Os capítulos que falam de Sophia e Luke são narrados em terceira pessoa, e os de Ira, são narrados pelo próprio personagem. Confesso que gostei mais da narrativa (e da história) de Sophia e Luke, mas toda vez que começa um capítulo de Ira, não conseguia não virar as páginas voando, principalmente por conta de Ruth, que se tornou uma das minhas personagens favoritas do autor.

"Sophia sorriu e se aproximou mais. Quando Luke se inclinou para beijá-la, ela soube que, se antes não estava apaixonada por ele, agora não restava mais dúvidas."

A história do passado de Ruth e Ira é curiosa. Fala muito sobre a guerra e das sequelas dela, coisa que o autor já fez em outros livros, mas vai além disso, se aproximando na sensibilidade dos personagens. Ruth é uma professora sensível, mas ao mesmo tempo bem humorada, o que me deixou apaixonada pela personagem. E foi isso que me deixou emocionada. Na história, conhecemos um pouquinho sobre dela com um dos seus alunos, e eu não imaginei que pudesse ficar tão tocada com essa relação a ponto de ficar em prantos. Ponto pro Sparks.

Sophia é mais a mulher atual. Independente e que luta pelas coisas que quer, o que me fez simpatizar muito pela personagem. Luke, como todo protagonista alá Sparks, é um príncipe, embora com alguns defeitinhos que sempre vêm no pacote. A história dos dois é linda, daquelas típicas para suspirar. O cenário também é o mesmo já conhecido, só que dessa vez com mais vida no interior, o que foi interessante de se ler. 

Admito que no início não gostava da capa, apesar de ser uma das únicas que não segue o conhecido padrão Sparks, mas depois percebi a relação que ela tinha com a história. O livro é perfeitamente revisado, não encontrei erros. Não fiquei surpresa com o final, admito, mas não poderia ter ficado mais satisfeita. Nicholas conseguiu inovar, apesar de nos dar o tão conhecido romance água com açúcar, o que me agrada de mais. Leitura mais que recomenda. Um dos meus favoritos do autor.

"Afinal de contas, se existe um paraíso, nós nos encontraremos de novo, porque não existe um paraíso sem você”

 Beijinhos,
Câmbio e desligo.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Filme: Across The Universe

Across the Universe (Across the Universe) - Poster / Capa / Cartaz
Gênero: Drama/Romance/Musical
Direção:  Julie Taymor
Elenco: Evan Rachel Wood, Jim Sturgess
Tempo: 133min
tulo Original: Across The Universe
Lançamento: 2007

O jovem estivador Jude (Jim Sturgess) sai de Liverpool em busca do pai, que mora nos Estados Unidos, e é envolvido pelo mar de mudanças que está transformando a nação norte-americana. Ele se apaixona por Lucy (Evan Rachel Wood), uma menina americana rica que participa do crescente movimento pacifista dentro da América, e os dois namorados, tão diferentes, vêem-se em um mundo psicodélico e enlouquecido.


Across The Universe é um filme diferente. Não só por ser um musical, mas sim por ser um musical com somente músicas dos Beatles. Sim o filme é embalado pelas mais famosas (ou nem tão famosas assim) canções da banda britânica, mas não é só isso que o torna diferente do que estamos acostumados a assistir. A temática, o cenário, a química entre o casal principal, os personagens, as músicas interpretadas de arrepiar... Até eu que não sou a maior fã de musicais fiquei encantada com a história.


Tudo começa quando Jude saí de Liverpool em direção aos Estados Unidos, na tentativa de encontrar seu pai que abandonou sua mãe grávida durante e guerra. Na faculdade onde esse trabalha, ele conhece Max, um jovem irresponsável que quer curtir o máximo possível. Rapidamente eles se tornam amigos, e Max apresenta Jude a Lucy, sua irmã mais nova, pelo qual ele se encanta.


As interpretações das músicas são incríveis. Acho difícil escolher uma favorita, mas me arrepiei inteira quando escutei Let It Be. A fotografia é maravilhosa, uma das mais belas que eu já vi, abusando das cores dando um toque mais psicodélico. Pode ser um pouco cansativo, pelo fato de ser muito longo, mas mesmo assim, vale a pena pra quem gosta de se deixar embalar. Achei bem interessante os fatos dos personagens terem nomes que já foram citados nas músicas dos Beatles, além de várias outras referências que vão além das musicais. Um filme mais que indicado pra quem gosta de Beatles e de histórias comoventes para se suspirar. Além disso, o Jim Sturgess está um amor nesse filme.




segunda-feira, 14 de julho de 2014

Uma Carta de Amor - Nicholas Sparks


Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 288
Classificação: 

Há três anos, a colunista Theresa Osborne se divorciou do marido após ter sido traída por ele. Desde então, não acredita no amor e não se envolveu seriamente com ninguém. Convencida pela chefe de que precisa de um tempo para si, resolve passar férias em Cape Cod. Durante a semana de folga, depois de terminar sua corrida matinal na praia, Theresa encontra uma garrafa arrolhada com uma folha de papel enrolada dentro. 
Ao abri-la, descobre uma mensagem que começa assim: “Minha adorada Catherine, sinto a sua falta, querida, como sempre, mas hoje está sendo especialmente difícil porque o oceano tem cantado para mim, e a canção é a da nossa vida juntos.” 
Comovida pelo texto apaixonado, Theresa decide encontrar seu misterioso autor, que assina apenas “Garrett”. Após uma incansável busca, durante a qual descobre novas cartas que mexem cada vez mais com seus sentimentos, Theresa vai procurá-lo em uma cidade litorânea da Carolina do Norte. Quando o conhece, ela descobre que há três anos Garrett chora por seu amor perdido, mas também percebe que ele pode estar pronto para se entregar a uma nova história. E, para sua própria surpresa, ela também. 
Unidos pelo acaso, Theresa e Garrett estão prestes a viver uma história comovente que reflete nossa profunda esperança de encontrar alguém e sermos felizes para sempre.


Eu tinha expectativas para Uma Carta de Amor. Na verdade, não tinha como não ter, já que minha mãe vivia elogiando o filme e disse que eu gostaria muito. Comecei o livro e passei três dias enrolando sem conseguir nem mesmo chegar na página cinquenta, até que um dia me forcei a tentar ler, pelo menos até a página cem. Aos poucos, o livro foi melhorando, e a leitura se tornando mais fácil e mais gostosa. O mais decepcionante de tudo, não foi o fato de eu ter demorado para pegar um ritmo bom na leitura, e sim o final extremamente frustrante.

Tudo bem que sendo leitora dos livros do Nicholas eu já deveria estar acostumada a me frustrar com o final, mas esse foi sem dúvidas, uma das minhas maiores decepções com o autor. Parece que somos levados a dar voltas e voltas junto com os personagens, e quando tudo se encaminha para algo do nosso gosto... puff. Simplesmente desaparece em um piscar de olhos. É justificável? Talvez, mas isso não impede que o sentimento de frustração desapareça no final da leitura.

Apesar de tudo, o Nicholas é um ótimo escritor, e acho que isso é a única coisa que ainda me leva a continuar lendo os seus livros. Ele pode não inovar em diversos pontos, mas carrega uma sensibilidade incrível na hora de escrever e criar os seus personagens. Theresa, por exemplo, é uma mulher forte e decidida, que conseguiu conquistar minha simpática ao decorrer da história. Garret demorou um pouco mais, já que diversas vezes fiquei entendiada com seu drama, foi mais para o final que eu consegui me conectar com o personagem.

A capa é bem padrão Sparks mesmo, sem nada de muito surpreendente. O livro foi muito bem revisado, não vi erros e as letras são de um tamanho confortável aos olhos. É um livro de tamanho razoável, então dependendo do ritmo de leitura, é bem rápido de se ler. É uma leitura que me decepcionou e me frustrou, e não conseguiu me emocionar, apesar de muitas frases bonitas e diálogos românticos. Acho ruim terminar um livro simplesmente como se fosse mais um livro, e infelizmente,  com Uma Carta de Amor, foi isso que me aconteceu.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Princesa Adormecida - Paula Pimenta

Princesa Adormecida
Autor(a): Paula Pimenta
Editora: Galera Record
Ano de lançamento: 2014
Páginas: 192
Classificação:  

Era uma vez uma princesa... Você já deve ter ouvido essa introdução algumas vezes, nas histórias que amava quando criança. Mas essa princesa sou eu. Quer dizer, é assim que eu fiquei conhecida. Só que minha vida não é nada romântica como são os contos de fada. Muito pelo contrário. Reinos distantes? Linhagem real? Sequestro? Uma bruxa vingativa? Para mim isso tudo só existia nos livros. Meu cotidiano era normal. Tá, quase normal. Vivia com meus (superprotetores) tios, era boa aluna, tinha grandes amigas. Até que de uma hora pra outra, tudo mudou. Imagina acordar um dia e descobrir que o mundo que você achava que era real, nada mais é do que um sonho. E se todas as pessoas que você conheceu na vida simplesmente fossem uma invenção e, ao despertar, percebesse que não sabe onde mora, que nunca viu quem está do seu lado, e, especialmente, que não tem a menor ideia de onde foi parar o amor da sua vida. Se alguma vez passar por isso, saiba que você não é a única. Eu não conheço a sua história, mas a minha é mais ou menos assim... 

Desde que li Fazendo Meu Filme me tornei leitora assídua dos livros da Paula Pimenta. Tive a chance de ler quase todas as obras da autora e fiquei muito ansiosa quando anunciaram o lançamento de Princesa Adormecida, que além de ter a capa linda (tem como não se apaixonar?) recontaria a história da minha princesa favorita. Ainda não tive a chance de ler O Livro das Princesas (coletânea de contos lançado pela Galera Record na qual a Paula contribuiu com uma releitura da história da Cinderela) mas vi sendo muito elogiado, o que só aumentou minhas expectativas para esse lançamento.

"Dizem que as lembranças dos nossos primeiros anos de vida são mesmo meio nebulosas. Não dá para saber se são verdadeiras ou se aquelas imagens foram criadas a partir de histórias que nos contaram ou de fotos que vimos... Usamos essas informações como se elas fossem parte da nossa própria memória."

Li o livro rapidamente (o que já imaginava, já que além de bem curtinho, a narrativa da Paula é tão gostosa que a gente nem vê as páginas passar...), mas contrariando minhas expectativas, não gostei tanto quanto esperava. É claro, gostei muito, o livro é fofo, mas ficou faltando algo, sabe? Em vários momentos, achei juvenil demais, é  fofo, mas ainda sim, muito juvenil. Talvez, tenha sido o fato te der ido com muita sede ao pote, mas não pude deixar de acabar o livro e ficar com a sensação de que não tive todas as minhas expectativas alcançadas.

Os personagens são fofos. Fiquei encantada pelos três tios de Anna Rosa (ou Áurea? Ainda não me decidi sobre como chamá-la haha) e pela sua amiga, Clara (que eu tive vontade de conhecer um pouquinho mais). Anna, também é uma personagens que logo conquistou meu carisma. Ela é fofa, inteligente e sonhadora, apesar de um pouco ingênua. Gostei muito da forma como a Paula criou uma personagem diferente das dos seus livros anteriores. O mocinho também é uma gracinha... Fofo, fofo, fofo.

Em determinado momento, temos uma "aparição" da DJ Cinderela (se você leu O Livro das Princesas vai lembrar dela, se não - assim como eu -, com certeza vai ficar morrendo de vontade de conhecer mais sobre a sua história). Eu gostei, achei muito criativo da parte da Paula introduzir a personagem na situação, e principalmente, sem dar Spoiler da história desta. Ou seja, se você não leu O Livro das Princesas, não tem problema ler Princesa Adormecida, mas mesmo assim, eu gostaria de ter lido esse antes. 

A capa é incrível de tão linda. Passei um tempão só admirando a arte maravilhosa que fizeram. E os detalhes só deixam tudo mais perfeitinho. A letra é grande e as páginas são grossas e amareladas, o que facilita as coisas. Tudo está perfeitamente revisado, não reparei em nenhum erro. A editora está de parabéns por todo o trabalho. 

“Amor. Por mais que ele estivesse brincando, meu coração deu um salto. Céus, isso é o que acontece quando você passa a vida inteira reclusa, sem ter contato com meninos: uma carência do tamanho do mundo! Um cara me manda uma mensagem por engano e eu já fico toda derretida!”

Achei bem criativa a forma como a Paula adaptou a história d'a Bela Adormecida para os dias atuais. Isso, sem que ficasse tão irreal. A personagem mesmo, várias vezes se contesta sobre o fato de parecer que sua história foi tirada de um livro infantil e a preocupação dos tios foi retratada de uma forma em que eu realmente achasse que fosse possível algo parecido acontecer. 

É um livro bem jovem, talvez, por isso eu não tenha gostado tanto quanto esperado. Com certeza, todas as adolescentes e pré-adolescentes vão se encantar por essa história fofa de contos de fadas, e por ser um livro bem curto e de narrativa fácil, a leitura é ainda mais gostosa, daquela que acaba sem perceber, e quando você menos espera já está sentindo saudade dos personagens... Aquelas histórias para ficar suspirando e sonhando muito tempo depois de ter terminado.

domingo, 6 de julho de 2014

Sentados no Sofá: A Culpa é das Estrelas

A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars) - Poster / Capa / Cartaz
Gênero: Drama/Romance
Direção:  Josh Boone
Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort
Tempo: 125min
tulo Original: The Fault in our Stars
Lançamento: 2014

Diagnosticada com câncer, Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando com a doença, a jovem é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio e logo conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), um rapaz que vai mudar completamente a sua vida.

Quando fui assistir A Culpa é das Estrelas, não tinha muita noção do que esperar, e certamente fui surpreendida por um filme que conseguiu misturar comédia, romance, drama, de forma sensível e envolvente. Desde os diálogos bem humorados, até as mais tristes e emocionantes cenas de cortar o coração, o filme prende nossa total atenção, e apesar de ser longo, não ficamos entediados um momento sequer.

Shailene interpreta Hazel lindamente, mas esse filme, com certeza foi do Ansel. Ele rouba a cena, e torna o personagem mais carismático do que já é. Não consigo pensar em pessoa melhor para interpreta-lo.  Os diálogos são bem parecidos com os dos livro, o que só torna tudo mais emocionante. Na verdade, o filme inteiro carrega uma fidelidade intensa, tenho certeza de que todos os leitores terão suas expectativas atendidas. 

Além disso, o casal principal tem uma química incrível, principalmente por já terem trabalhado juntos em outro filme, embora em situações diferentes. A Trilha sonora consegue absorver todos os sentimentos da cena, e tornar tudo ainda mais tocante. O cenário é lindo, principalmente quando a câmera passeia por Amsterdã e somos apresentados a uma palheta de cores fortes e expressivas.


Como adaptação, A Culpa é das Estrelas é um prato cheio para todos os leitores, já que mistura todos os sentimentos sentidos no livro com uma trilha sonora maravilhosa e interpretações mais maravilhosas ainda. Mas, além disso, como filme, consegue entreter e emocionar, sem se tornar falso ou forçado. Não poderia ter sido mais lindo e encantador. Amei. 

domingo, 29 de junho de 2014

Sentados no Sofá: Ela

Ela (Her) - Poster / Capa / CartazGênero: Drama/Romance
Direção:  Spike Jonze
Elenco: Joaquim Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams
Tempo: 125min
tulo Original: Her
Lançamento: 2013

Em um futuro próximo na cidade de Los Angeles, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro.

"Ela" era o filme da temporada do Oscar pelo qual eu estava mais curiosa. Ainda mais quando ele levou a estatueta de Melhor Roteiro Original. E não é para menos, o roteiro é belíssimo... aliás, todo o filme é muito belo. A forma sensível e linda com qual o amor é tratado, é encantadora. É difícil descrever esse filme, porque todas as situações são narradas de uma forma tão sensível, e a fotografia é tao delicada, os diálogos são intensos e reais. Totalmente encantador.

O interessante, é a mistura perfeita que o filme tem entre romance e ficção. O elenco também está de se encantar. Joaquim consegue passar toda a angústia e paixão de Theodore, um personagem muito solitário, e muitas vezes faz com que esquecemos que aquilo não é real, e que ele está, na verdade, interpretando alguém. Scarlett, embora não apareça, é a dona da voz de Samantha, e através de sua voz, conseguimos sentir todos os sentimentos da personagem.

Desde o início, Ela chama atenção por ser diferente, sensível, inteligente e nos fazer questionar coisas e sentimentos dentro de nós mesmos. Estatueta mais do que merecida, atuações maravilhosas, fotografia sensível, roteiro intenso e delicado. Várias são os sentimentos que esse filme consegue transmitir. Genialmente belo. Tão belo, que deveria ser um crime não ser assistido. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Escolha - Kiera Cass

A Escolha
Contém Spoilers dos primeiros livros da Trilogia 

Autor(a): Kiera Cass
Editora: Editora Seguinte
Ano de lançamento: 2014
Páginas: 352
Classificação:  

A Seleção mudou a vida de trinta e cinco meninas para sempre. E agora, chegou a hora de uma ser escolhida. America nunca sonhou que iria encontrar-se em qualquer lugar perto da coroa ou do coração do Príncipe Maxon. Mas à medida que a competição se aproxima de seu final e as ameaças de fora das paredes do palácio se tornam mais perigosas, América percebe o quanto ela tem a perder e quanto ela terá que lutar para o futuro que ela quer. Desde a primeira página da seleção, este best-seller #1 do New York Times capturou os corações dos leitores e os levou em uma viagem cativante ... Agora, em A Escolha, Kiera Cass oferece uma conclusão satisfatória e inesquecível, que vai manter os leitores suspirando sobre este eletrizante conto de fadas muito depois da última página é virada.

Depois de me decepcionar com A Elite, minhas expectativas para A Escolha não eram tão grandes. Eu estava curiosa, mas não ansiosa. Essa semana ganhei de aniversário de um amigo, e decidi passá-lo na frente dos outros, pelo grande burburinho que ele vem causando na blogosfera e pelos comentários positivos. Bastou uma sentada para que eu passasse da metade de A Escolha, virando as páginas sem perceber. O livro já começa com um ritmo de tirar o fôlego. E não é para menos, afinal, esse livro deveria explicar as perguntas que vinhamos nos fazendo desde o começo da trilogia, e admito que essa era uma das minhas maiores preocupações. Não tinha certeza de que a autora conseguiria explicar tudo em pouco mais de 300 páginas. 

Lute America, Você talvez não queria lutar pelas mesmas coisas que a maioria deseja, como dinheiro e sucesso. Ainda assim, lute. Não importa o que você deseja, America, vá atrás com todas as suas forças.

Me surpreendendo, a autora conseguiu se sair incrivelmente bem. Claro, ainda ficaram algumas perguntas no ar, pontinhas soltas que incomodam, mas o mais importante, a história principal, Kiera conseguiu resolver muito bem. Ela também coloca algumas surpresas no meio, e várias vezes fiquei com cara de "Como assim?!", o que é claro, só deixa a história ainda melhor. Celeste, por exemplo, foi uma das melhores surpresas. Bem no fundo, eu sempre gostei do jeito "sou Diva mesmo e não ligo pra você" dela, e esse livro só serviu para reforçar o meu sentimento pela personagem ( *lágrimas*), mesmo que eu ache um pouco estranho essa mudança enorme na personagem, assim, tão de repente.

Apesar de America ainda me irritar algumas vezes, não foi nada perto do sentimento que tive por ela em A Elite. Nesse livro ela está mais decidida sobre o que quer, e apesar de algumas pontinhas de hesitação, a personagem está mais centrada. Pelo menos o bastante para sair um pouquinho daquele "não sei com quem eu vou ficar" que tanto me irritou no livro anterior. Maxon também se mostrou muito mais maduro. Ele finalmente começa a se impor, e são vários os momentos que me fizeram suspirar. Aspen, que sempre achei muito sem graça, também ganhou um bom espaço (o suficiente para se posicionar um pouco na história) e eu não poderia ficar mais feliz com o desfecho do triangulo amoroso escolhido pela autora.

- Ficamos próximos, mas então acontece algo que nos afasta. E você nunca parece capaz de tomar uma decisão. Se você me quer tanto quanto diz, por que isso aqui ainda não acabou?
- Porque em metade do tempo eu tinha certeza de que você amava outra pessoa e, na outra, duvidava que você fosse me amar um dia

As últimas cem páginas me deixaram angustiada. Não só pelas reviravoltas repentinas, mas principalmente pelo banho de sangue. Já tinha lido sobre isso em algumas resenhas e até pegado alguns Spoilers de quem daria bye bye para a história, mas certamente não estava preparada para isso. A autora matou muita gente, e isso me incomodou. As mortes são rápidas, sem detalhes e principalmente, uma atrás da outra, ou seja, não dá nem tempo de sentir o choque da perda, porque outra pessoa já morre em seguida.

A narrativa da Kiera sempre foi algo que me agradou muito (apesar da America me dar nos nervos algumas vezes). A autora consegue conduzir a estória de forma que viramos as páginas rapidamente. Eu mesma não consegui parar até que tivesse terminado. Apesar de eu achar que teria muito mais distopia nesse livro, ela não foi totalmente explorada. A distopia é apenas o plano de fundo para a história, mas fica bem longe de ser o tema principal, então não tenha expectativas em relação a isso. Temos muito romance, o que sempre foi uma marca da autora e que deixa a história toda fofa *suspiro*.

A capa é lindíssima, devo ressaltar. Segue o padrão das outras duas (que eu amo) e as três combinam perfeitamente na estante. A diagramação também está perfeita, sem erros na revisão, com as coroas fofas no inicio do capítulo e a fonte em um tamanho bom para se ler sem cansar. O título traduzido também foi uma ótima escolha (trocadilho tosco hahaha). O livro não se trata só da escolha do Maxon, mas sim da escolha de todos os protagonistas, escolhas que movem e mudam a história a todo o momento.

É difícil terminar uma trilogia e dar adeus a personagens (por mais que eu quisesse estrangula-los em vários momentos) que se tornaram amigos ao decorrer da leitura. E apesar de ter sido cheia de altos e baixos, e estar longe de ser uma das minhas favoritas, sempre vou falar da trilogia A Seleção me sentindo satisfeita por (mesmo que em apenas três livros) a autora ter sido capaz de encher minha cabeça com uma história de amor que vai muito além do tão conhecido "Felizes para Sempre...". Termino esta resenha (e a trilogia) com o coração pesado e um sorriso no rosto. 

Tchau, Maxon. Tchau, America. Vou sentir saudades de vocês, apesar de tudo.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O Guardião - Nicholas Sparks

O Guardião
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 344
Classificação: 

Quarenta dias após a morte de seu marido, Julie Barenson recebe uma encomenda deixada por ele. Dentro da caixa, encontra um filhote de cachorro dinamarquês e um bilhete no qual Jim promete que sempre cuidará dela. Quatro anos mais tarde, Julie já não pode depender apenas da companhia do fiel Singer, o filhotinho que se tornou um cachorro enorme e estabanado. Depois de tanto sofrimento, ela enfim está pronta para voltar a amar, mas seus primeiros encontros não são nada promissores. Até que surge Richard Franklin, um belo e sofisticado engenheiro que a trata como rainha. Julie está animada como havia muito tempo não sentia, mas, por alguma razão, não consegue compartilhar isso com Mike Harris, seu melhor amigo. Ele, por sua vez, é incapaz de esconder o ciúme que sente dela. Quando percebe que o desconforto diante de Mike é causado por um sentimento mais forte que a amizade, Julie se vê dividida entre esses dois homens, ela tem que tomar uma decisão. Só que não pode imaginar que, em vez de lhe trazer felicidade, essa escolha colocará sua vida em perigo. O Guardião contém tudo o que os leitores esperam de um romance de Nicholas Sparks, mas dessa vez ele se reinventa e acrescenta um novo ingrediente à trama: páginas e mais páginas de suspense.

Que Nicholas Sparks é bom em escrever romances melosos para mulheres morrerem de chorar comendo chocolate todo mundo sabe, mas acrescente uma boa dose de suspense a essa mistura. Será que isso dá certo? E aqui vai a resposta, minha gente, dá muito certo. E se eu já tinha ideia disso lendo Um Porto Seguro, foi só terminar O Guardião para que isso se tornasse uma certeza. O cara é realmente bom no que faz, e misturar romance com suspensa só faz com que as páginas passem mais rapidamente e que ficamos sem fôlego e é claro, sem unhas (eu deveria cobrar uma manicure por todas as vezes que titio Sparks me deixou dessa forma). E no final, não teve como não terminar em lágrimas.

Após quarenta dias da morte do marido, Julie recebe uma caixa com um filhote de cão dinamarquês dentro, e junto desse, uma carta do marido, dizendo que mesmo longe, estará sempre protegendo-a. Se passam quatro anos, e Julie finalmente se sente forte para começar um novo relacionamento. Depois de sair com vários caras e quase desistir, ela conhece Richard, um homem aparentemente perfeito. Mas Mike, seu melhor amigo, que é totalmente apaixonado por ela, não consegue gostar de Richard e muito menos Singer, seu já crescido cão. Julie então passa a descobrir sentimentos até então desconhecidos por Mike, e precisa fazer uma escolha, uma escolha que pode colocar sua vida em perigo.

E não se preocupe. De onde estiver, cuidarei de você. Serei seu anjo da guarda. Pode contar comigo para protegê-la

Ainda tem muito "amor meloso", o que é a característica (que eu amo, admito) do Sparks. Mas a medida em que ele vai acrescentando suspense, tudo vai ficando cada vez melhor, especialmente as cem últimas páginas, que para mim, foram impossíveis de largar. A escrita de Sparks vêm evoluindo muito, e confesso que ele me surpreendeu bastante nesse livro. É tudo simples, mas mesmo assim ele dá muita emoção as páginas. Os personagens também são no já conhecido estilo Sparks, mas ele consegue criar outros bem mais complexos, como Richard, e alguns que eu gostaria que tivessem mais espaço, como Jennifer. Mais uma vez o autor aposta na terceira pessoa, o que eu achei uma boa jogada, já que assim temos uma visão maior de todos os personagens e da história em si, o que parecia ser o objetivo. 

A capa também segue o padrão dos livros do autor, e encontrei poucos erros, nada que atrapalhasse muito a história. Apesar de ter me lembrado um pouco Um Porto Seguro, eu diria que isso foi somente no teor suspense, já que em todo o resto o autor consegue criar uma história original e de tirar o fôlego. E o interessante, é que ele também trabalha o relacionamento entre animais de estimação, o que eu achei diferente, e fofo. O título foi uma boa sacada, apesar de no meio eu já ter descoberto (hehe).

Mesmo tendo chorado no fim e amaldiçoado até a quinta geração do Nicholas por ele, admito que eu adorei. Não entrou pros meus favoritos do autor, mas me deixou emocionada. Pode não surpreender muito quando se trata do final, mas realmente foi ótimo para conhecermos um lado mais sombrio de Nicholas escrever. E eu realmente espero que ele trabalhe mais esse lado. 

"O mundo fica melhor quando você sorri"

domingo, 15 de junho de 2014

Sentados no Sofá: Foi Apenas um Sonho

Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road) - Poster / Capa / Cartaz
Gênero: Drama/Romance

Direção:  Sam Mendes
Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet
Tempo: 119min
tulo Original: Revolutionary Road
Lançamento: 2008

April (Kate Winslet) e Frank Wheeler (Leonardo DiCaprio) são um casal jovem que vive no subúrbio de Connecticut com seus dois filhos na década de 1950. A máscara da auto-segurança esconde a enorme frustração que sentem por não serem completos em seu relacionamento ou na carreira. Determinados a conhecerem a si mesmos, eles decidem se mudar para a França. Mas o relacionamento começa a corroer em um ciclo infinito de brigas, ciúmes e recriminações, e a viagem e seus sonhos correm grandes riscos de acabar.


A princípio, o filme chama atenção pelo casal de protagonistas. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet contracenam juntos mais uma vez, mas em uma obra completamente diferente de Titanic. Ao invés de Jack e Rose, são Frank e April, um casal típico dos anos 50, dividido entre as responsabilidades do monótono dia-a-dia e o sonho de mudar completamente isso, para se conseguir a vida que realmente querem. O filme é muitas vezes angustiante, repleto de discussões fortes e realistas, que nos fazem refletir bastante. Um roteiro magnificamente construído.

Se alguém ainda tinha dúvidas do talento de DiCaprio, esse filme foi (mais um) para calar a boca dessas pessoas. Ele realmente merece uma estatueta. E Kate não fica para trás. O filme inteiro, ela mantém a personagem incrível e eu me surpreendi muito quando ela foi capaz de mostrar muito mais em um final chocante, digno de prêmios. E apesar de tudo, o casal de protagonista tem muita química, o que dispensa elogios. O interessante é que, na maioria das vezes, nem são necessárias falas, os olhares dos personagens falam por si. Michael Shannon, que faz um coadjuvante incrível, também é uma atuação magnifica, e não é só por conta da complexidade de interpretar um personagem louco, mas sim porque ele consegue deixar nossos olhos cravadas na tela nas poucas cenas em que aparece. 

No filme inteiro, é possível sentir a angústia que ambos os personagens tem, e o desgostos desses por suas vidas. É um filme, sem dúvidas, para sentir o personagem. O bom é que o filme vai muito além do casal principal. Temos também a vida de outras pessoas ligadas aos protagonistas, pessoas que imaginam que a vida de ambos é perfeita, mesmo que seja bem longe disso. Se alguém já conhece o trabalho do diretor, Sam Mendes (famoso por Beleza Americana), com certeza vai gostar ainda mais do filme, como vi várias pessoas alegarem, e se não conhecem (assim como eu), vão ficar curiosos para saber mais. 

A fotografia é intensa, como tudo que compõe o filme. O cenário é perfeitamente anos 50, junto com a trilha sonora. O triste é que muitas pessoas deixam de apreciar essa obra por ela ser muito "parada". Sim, o filme é longo, e as coisas realmente começam a acontecer mais para o final, mas tenho que dizer que vale totalmente a pena. E apesar do que a capa sugere, está bem longe de ser um romance, na verdade, é um retrato realista e cruel de um relacionamento "morto". Um drama incrível, perfeitamente dirigido, com diálogos carregados de intensidades, com a intensão de fazer repensar, e de fato, consegue. 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Culpa é das Estrelas - John Green

A Culpa é das EstrelasAutor(a): John Green
Editora: Intrínseca
Ano de lançamento: 2012
Páginas: 288
Classificação: 

A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.

Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar. 

Apesar de ter lido este livro a bastante tempo, só agora me veio a coragem para resenha-lo. Apesar de ter amado, não consegui encontrar as palavras para descrever todo o sentimento que ele conseguiu me passar. E é aproveitando o gás do filme (que lança amanhã), que eu finalmente tomei coragem para escrever esta resenha. 

“Faltando pouco para eu completar meu décimo sétimo ano de vida minha mãe resolveu que eu estava deprimida, provavelmente porque quase nunca saía de casa, passava horas na cama, lia o mesmo livro várias vezes, raramente comia e dedicava grande parte do meu abundante tempo livre pensando na morte.”

A Culpa é das Estrelas, é sem dúvidas nenhuma, o livro mais badalado do momento. Além de ser um dos mais postados nas redes sociais, vêm incentivando positivamente a leitura para os jovens desta geração. Vi amigos meus que nunca que tinham tocado em um livro se interessarem por ACÉDE, lerem este e gostarem. Agora, tenho orgulho de dizer que eles se tornaram leitores assíduos. Com uma escrita inteligente, bem humorada e com uma pequena pitada de drama (que me fez chorar horrores nas últimas páginas), John Green se torna um dos escritores mais queridos da atualidade.

Você com certeza já viu essa história em algum lugar. Em algum filme, livro, música. Ela não é nem uma novidade. O que explica o sucesso estrondoso dessa obra então? Os personagens, frases de efeitos, narrativa irônica, ácida, o realismo imposto em tudo. A filosofia e as metáforas que o livro transpira. As passagens que nos fazem suspirar, e aquelas que nos fazem chorar. O livro inteiro, foi muito bem trabalhado pelo autor, e o sucesso é apenas uma consequência da dedicação enorme deste.

"Esse é o problema da dor – o Augustus disse, e aí olhou pra mim. ─ Ela precisa ser sentida".

Hazel é uma protagonista forte. Ela se acostumou com a sua doença e com o fato de que vai acabar morrendo, mas mesmo assim, tenta ser o mais forte possível para os seus pais. Essas, para mim, são uma das partes mais emocionantes do livro. O relacionamento de Hazel com a mãe e o pai várias vezes deixou os meus olhos marejados, e imagino que se fosse comigo, não seria muito diferente. Gus realmente dispensa comentários. Ele é aquele protagonista que me fez ficar encantada e sofrendo por não existir na vida real. Seu humor inteligente e frases memoráveis me emocionaram sem igual.A escrita de John é muito cativante. Virei a noite lendo, porque quando peguei, realmente não quis largar. 

A Culpa é das Estrelas é emocionante, belo e tocante, mas mesmo assim, as expectativas podem prejudicar. Da mesma forma que conheço pessoas que leram e amaram, conheço pessoas que leram e não entenderam o porquê de tanto "auê", mas isso pode acontecer com qualquer livro, até mesmo os menos conhecidos. Markus Zusak não podia ter mais razão ao dizer que "Você vai rir, vai chorar, e ainda vai querer mais". 

“Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações.”

domingo, 1 de junho de 2014

Sentados no Sofá: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind) - Poster / Capa / CartazGênero: Drama/Romance
Direção:  Michel Gondry
Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Mark Ruffalo
Tempo: 108min
tulo Original: Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Lançamento: 2004

Ao descobrir que sua ex-namorada se submeteu a um tratamento experimental para apagá-lo de suas lembranças, Joel decide passar pelo mesmo processo. Porém, durante a experiência, ele percebe que não quer esquecê-la.

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é um dos meus filmes favoritos. Não é exagero eu dizer que é praticamente uma obra de arte filmada. Sensível, belo, com um toque cômico extremamente encantador, misturado com atuações magnificas, que dão incrivelmente certo. O roteiro é inovador, apesar de confuso, mas a mensagem é bela se entendida.

A principal surpresa é Jim Carrey. Se você espera as típicas caretas dos filmes batidos de comédia, passe longe. Sua atuação é inovadora e surpreendente, muito diferente do que estamos acostumados a assistir. Gostaria muito de vê-lo interpretar outros dramas. Kate brilha, sem exageros. Ela se entrega de um jeito incrível ao papel, uma das suas melhores atuações. Kirsten, para uma coadjuvante também rouba a cena, junto com Elijah, Mark Ruffalo é um dos meus atores favoritos, mas é ofuscado pelo papel de todos os outros, que estão excepcionais.

As cores são mostradas de forma intensa, o que só aumenta a sensibilidade imposta pelo filme. A mensagem fica imposta, fazendo com que refletimos ao longo, e ao final do filme. Não quero me estender muito, pois acho que a premissa em si já fala mais do que eu sou capaz de dizer, só quero reforçar que é, com certeza um dos romances mais belos já interpretado e criado pela sétima arte. Muito bem elaborado e trabalhado, pode até parecer massante em determinadas passagens, mas vale a pena. Incrivelmente belo.

''Quão feliz é o destino de um inocente sem culpa. O mundo em esquecimento pelo mundo esquecido. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Cada orador aceito e cada desejo renunciado.''

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Mentiras - Gone #3 - Michael Grant

Mentiras
Autor(a): Michael Grant
Editora: Galera Record
Ano de lançamento: 2012
Páginas: 378
Classificação: 

Contém Spoilers dos dois primeiros volumes da série. Leia aqui a resenha de Gone e de Fome

Terceiro volume da série best seller do NYT, sobre o estranho sumiço dos adultos mundo afora, o que deixa apenas adolescentes e crianças para desvendar o mistério. Neste volume, sete meses se passaram e as coisas parecem finalmenteter criado alguma ordem no LGAR - se é que podemos chamar de ordem um bando de crianças sozinhas e armadas.Mas estabilidade não parece ser uma opção no LGAR. Coisas cada vez mais estranhas continuam a acontecer e, como se não bastasse, um boato ainda mais estranho, para não dizer assustador, começa a se alastrar. Mas mesmo naquele lugar bizarro não é possível que mortos voltem à vida... é?
Isso aconteceu em uma noite: uma garota morta caminha entre os vivos, Zil e os Normais ateiam fogo a Praia Perdido, e no meio das chamas e fumaça, Sam vê o garoto que mais teme – Drake. Mas Sam e Caine derrotaram ele junta com a Escuridão – ou assim acreditavam. Com Perdido Beach queimada, o combate inicia-se: Astrid contra a Town Council, os Normais contra os mutantes, e Sam contra Drake. E a profetiza Orsay e Nerezza estão pregando que a morte os libertará. Com a vida em LGAR tornando-se cada vez mais desesperadora, ninguém sabe em quem confiar.

Gone é uma das melhores distopias que eu já li. É inteligente, criativo e tem uma história de tirar o fôlego do leitor a cada capítulo. Infelizmente, tem muito pouco reconhecimento no Brasil (o que de certa forma eu entendo, já que os preços são muito salgados). Mentiras, terceiro volume da série, não poderia ter outro título. O livro inteiro gira em torno disso: mentiras. E se em algum momento eu imaginei que iria conseguir respostas neste volume, não podia ser mais ingênua. Terminei Mentiras com uma grande interrogação, criando teorias doidas e é claro, morrendo de ansiedade para o próximo volume.

O LGAR está uma confusão. Como se já não bastassem as várias crianças famintas e assustadas, a destruição por toda parte e a violência constante, agora eles precisam lidar também com a falta de energia e com a Galera Humana - um grupo de vândalos que planejam uma guerra para destruir as aberrações. Mas agora, tudo se encaminha para melhora. Astrid tem um Conselho, que está planejando criar leis, Caine está longe e fraco e Drake - o psicopata com braço de chicote - está morto. Mas para Sam, isso não é o bastante. Não quando o Conselho não consegue criar nada. Não quando crianças continuam a ser assinadas. Não quando Zil e a Galera Humana saem pichando coisas contra as aberrações. Não quando uma garota é vangloriada por supostamente ser uma profetista que consegue enxergar além da parede do LGAR, e muito menos quando tem uma garota morta andando por aí. 

''O som daquilo tudo, as pancadas, rasgos e estrondos súbitos, juntava-se aos estalos e sopros o fogo que abria caminho pelo lado oeste da rua.
Eram os sons de Praia Perdida morrendo.'' 


Assim como em Fome, as coisas demoram um pouco para esquentar. Apesar de informações importantes e chocantes estarem presentes desde a primeira página, as coisas só começam a acontecer realmente depois da página 100. O livro da uma volta impressionante, que me deixou de queixo caído, e quando se instala neste ritmo, é quase impossível parar de ler, fato, que me fez devorar em menos de dois dias. Apesar de ser consideravelmente menor que os outros dois primeiros volumes da série (ambos tinham quase 600 páginas), Mentiras carrega muito informação, com reviravoltas chocantes.

Uma coisa que me incomoda muito nessa série, é a quantidade de personagens. Tem muita gente. Tudo bem, não tem como criar uma história dessas com apenas cinco personagens. Mas ainda sim, são muitos nomes para se lembrar (nomes que não são nada fáceis), o que para mim, dificulta um pouco na hora de entrar no ritmo da história. Várias vezes tive que pegar Fome para me lembrar de determinadas pessoas, que nem tiveram tanto destaque posteriormente. 

Mas o fato é que não dá para reclamar com o que o autor faz com esses personagens. Eles são muito bem construídos, com erros e acertos, oscilações de humor, atos heroicos e atos de covardia, nos fazendo amá-los e odiá-los a todo momento. São vários momentos em que eu tive que parar e pensar "Hey! Espera, eles são apenas crianças". Na maior parte do tempo, com tudo o que acontece, não tem como se lembrar disso, porque eles forma obrigados a crescer em pouco tempo, tomando atitudes que não afetam somente suas vidas, mas a de todas as pessoas daquela pequena sociedade formada por crianças, e a autor trabalhou isso magnificamente. Eu não imaginava as sequelas que Drake tinha deixado em Sam - especialmente as psicológicas - mas elas estão ali o tempo inteiro. Neste volume, ele está totalmente perturbado, o que em nenhum momento, foi uma coisa ruim. O personagem, apesar das luzes que pode lançar, também é humano, e a forma realista como o autor trabalhou seus traumas me deixou surpresa e satisfeita. Já Astrid gênio, foi um saco. A personagem me irritou grande parte do livro, me fazendo questionar a maior parte do tempo onde estava o gênio.

"Maria podia sentir a depressão chegando. Era uma perseguidora paciente. Ela observava e esperava. E, quando sentia a mínima fraqueza, chegava mais perto."

Mentiras mexe com o psicológico, te deixa sem fôlego e chocado. Estou convencida de que o Michael é algum tipo de gênio. É tudo tão original e criativo, que não tem como não ficar desapontado com o tão pouco reconhecimento que tem. Independente do preço, gosto literário ou faixa etária, a série Gone vale muito a pena. Vou parar por aqui, porque tenho certeza do quão grande ficou essa resenha, mas mesmo assim, não posso deixar de reforçar, Leiam Gone.

domingo, 25 de maio de 2014

Sentados no Sofá: Clube de Compras Dallas

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club) - Poster / Capa / CartazGênero: Drama
Direção:  Jean-Marc Vallée
Elenco: Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner
Tempo: 117min
tulo Original: Dallas Buyers Club
Lançamento: 2013

O filme conta a história de Ron Woodroof, um eletricista heterossexual de Dallas que foi diagnosticado com AIDS em 1986, durante uma das épocas mais obscuras da doença. Embora os médicos tenham lhe dado apenas 30 dias de vida, Woodroof se recusou a aceitar o prognóstico e criou uma operação de tráfico de remédios alternativos, na época ilegais.

Logo que saiu a lista de indicados ao Oscar, este foi um dos filmes que mais me chamou atenção. Infelizmente, não consegui ir ver antes da premiação, mas quando vi que a dupla de vencedores de "Melhor Ator" e "Melhor Ator Coadjuvante" trabalhavam neste filme, fiquei ainda mais curiosa. Assim que pude, peguei o filme para assistir, curiosa e cheia de expectativas, e posso concluir que não me decepcionei.

Matthew foge dos seu costumeiro papel em comédias românticas para dar vida a um personagem forte: um homem grosso, homofóbico, irônico, que ao se ver com Aids (uma doença que ele apavora, por considerar possível somente em homossexuais) tem que lidar com a doença e seus efeitos, além do preconceito dos outros, e o seu próprio. Não tinha outra, o Oscar tinha que ser para ele. Seu papel neste filme está perfeito, impecável. É difícil acreditar, vendo seus primeiros filmes, que é o mesmo ator. Fiquei de queixo caído.

Jared também não deixou de ser uma surpresa. Vi poucos dos seus trabalhos, então fiquei curiosa quando vi ele ser tão bem elogiado. Rayon é um personagem doce, que é impossível não se apegar, e sofrer junto conforme o filme vai acabando. Outro prêmio que não tenho como contestar, merecia ser dele. Jennifer que é uma atriz que eu admiro muito, também não fica para traz, embora seu papel tenha sido ofuscado pelos outros dois, o que ao meu ver, foi exatamente a intenção, já que o principal conceito do filme - além da doença - é trabalhar a relação de Ron e Rayon.

Baseado em fatos reais, Clube de Compra Dallas consegue surpreender, não só com ótimas atuações, mas com um roteiro e fotografia impecáveis. Não abusa do drama e tem até uma certa dose cômica. Um filme muito intenso e muito forte, com certeza, daqueles para ficar pensando mesmo depois de ter terminado. Os atores realmente se entregaram aos papeis (e isso não se tratou só de perder peso), e não me desapontaram. Merecedor de todos os elogios que vem recebendo.

Boa Pipoca ;D