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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Uma Longa Jornada - Nicholas Sparks

Uma Longa Jornada
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 361
Classificação: 

Aos 91 anos, com problemas de saúde e sozinho no mundo, Ira Levinson sofre um terrível acidente de carro. Enquanto luta para se manter consciente, a imagem de Ruth, sua amada esposa que morreu há nove anos, surge diante dele. Mesmo sabendo que é impossível que ela esteja ali, Ira se agarra a isso e relembra diversos momentos de sua longa vida em comum: o dia em que se conheceram, o casamento, o amor dela pela arte, os dias sombrios da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos sobre eles e suas famílias.
Perto dali, Sophia Danko, uma jovem estudante de história da arte, acompanha a melhor amiga a um rodeio. Lá, é assediada pelo ex-namorado e acaba sendo salva por Luke Collins, o caubói que acabou de vencer a competição.
Ele e Sophia começam a conversar e logo percebem como é fácil estarem juntos. Luke é completamente diferente dos rapazes privilegiados da faculdade. Ele não mede esforços para ajudar a mãe e salvar a fazenda da família. Aos poucos, Sophia começa a descobrir um novo mundo e percebe que Luke talvez tenha o poder de reescrever o futuro que ela havia planejado. Isso se o terrível segredo que ele guarda não puser tudo a perder.
Ira e Ruth. Luke e Sophia. Dois casais de gerações diferentes que o destino cuidará de unir, mostrando que, para além do desespero, da dificuldade e da morte, a força do amor sempre nos guia nesta longa jornada que é a vida.

Fazia um tempão que eu não chorava com um Sparks... Eu até derramava uma lágrima ou outra, e conseguia gostar, mas chorar, verdadeiramente, de modo a me sentir extramente tocada como aconteceu com esse livro, fazia muito tempo. Uma Longa Jornada me deixou chorando horrores, e acreditem se quiser, nem foi pelo motivo que eu deveria ter chorado. Confuso, não? Mas vou tentar explicar nesta resenha.

"Ela era excepcional; eu era mediano, um homem cuja maior realização na vida foi amá-la sem limites,e isso nunca mudará."

O livro conta duas histórias paralelas. A primeira dessas é a de Ira Levinson, um idoso de 91 anos, que acabou de sofrer um acidente de carro no meio do nada, e não tem ninguém que possa dar sua falta. Sua única companhia é o fantasma de sua esposa Ruth, que lhe da forças para continuar a viver. Eles começam a relembrar o passado, fato que o mantém lúcido por algumas horas. A outra história é a de Sophia Danko, uma estudante de história da arte que acaba de terminar um relacionamento. Sua amiga a convence a ir até um rodeio para se divertir. Sophia concorda relutante, e por não estar obviamente se divertindo, sai para tomar um ar. Lá fora, ela é assediada pelo seu ex-namorada, e defendida pelo peão Luke Collins, pelo qual, mesmo sem querer, se vê encantada e curiosa.

Eu sempre digo isso nas minhas resenhas de livros de Sparks, que apesar de ele não inovar o padrão, o mais gostoso dos livros dele são as narrativas sensíveis. E nesse livro, elas continuam, só que de forma diferente. Os capítulos que falam de Sophia e Luke são narrados em terceira pessoa, e os de Ira, são narrados pelo próprio personagem. Confesso que gostei mais da narrativa (e da história) de Sophia e Luke, mas toda vez que começa um capítulo de Ira, não conseguia não virar as páginas voando, principalmente por conta de Ruth, que se tornou uma das minhas personagens favoritas do autor.

"Sophia sorriu e se aproximou mais. Quando Luke se inclinou para beijá-la, ela soube que, se antes não estava apaixonada por ele, agora não restava mais dúvidas."

A história do passado de Ruth e Ira é curiosa. Fala muito sobre a guerra e das sequelas dela, coisa que o autor já fez em outros livros, mas vai além disso, se aproximando na sensibilidade dos personagens. Ruth é uma professora sensível, mas ao mesmo tempo bem humorada, o que me deixou apaixonada pela personagem. E foi isso que me deixou emocionada. Na história, conhecemos um pouquinho sobre dela com um dos seus alunos, e eu não imaginei que pudesse ficar tão tocada com essa relação a ponto de ficar em prantos. Ponto pro Sparks.

Sophia é mais a mulher atual. Independente e que luta pelas coisas que quer, o que me fez simpatizar muito pela personagem. Luke, como todo protagonista alá Sparks, é um príncipe, embora com alguns defeitinhos que sempre vêm no pacote. A história dos dois é linda, daquelas típicas para suspirar. O cenário também é o mesmo já conhecido, só que dessa vez com mais vida no interior, o que foi interessante de se ler. 

Admito que no início não gostava da capa, apesar de ser uma das únicas que não segue o conhecido padrão Sparks, mas depois percebi a relação que ela tinha com a história. O livro é perfeitamente revisado, não encontrei erros. Não fiquei surpresa com o final, admito, mas não poderia ter ficado mais satisfeita. Nicholas conseguiu inovar, apesar de nos dar o tão conhecido romance água com açúcar, o que me agrada de mais. Leitura mais que recomenda. Um dos meus favoritos do autor.

"Afinal de contas, se existe um paraíso, nós nos encontraremos de novo, porque não existe um paraíso sem você”

 Beijinhos,
Câmbio e desligo.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O Guardião - Nicholas Sparks

O Guardião
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento: 2013
Páginas: 344
Classificação: 

Quarenta dias após a morte de seu marido, Julie Barenson recebe uma encomenda deixada por ele. Dentro da caixa, encontra um filhote de cachorro dinamarquês e um bilhete no qual Jim promete que sempre cuidará dela. Quatro anos mais tarde, Julie já não pode depender apenas da companhia do fiel Singer, o filhotinho que se tornou um cachorro enorme e estabanado. Depois de tanto sofrimento, ela enfim está pronta para voltar a amar, mas seus primeiros encontros não são nada promissores. Até que surge Richard Franklin, um belo e sofisticado engenheiro que a trata como rainha. Julie está animada como havia muito tempo não sentia, mas, por alguma razão, não consegue compartilhar isso com Mike Harris, seu melhor amigo. Ele, por sua vez, é incapaz de esconder o ciúme que sente dela. Quando percebe que o desconforto diante de Mike é causado por um sentimento mais forte que a amizade, Julie se vê dividida entre esses dois homens, ela tem que tomar uma decisão. Só que não pode imaginar que, em vez de lhe trazer felicidade, essa escolha colocará sua vida em perigo. O Guardião contém tudo o que os leitores esperam de um romance de Nicholas Sparks, mas dessa vez ele se reinventa e acrescenta um novo ingrediente à trama: páginas e mais páginas de suspense.

Que Nicholas Sparks é bom em escrever romances melosos para mulheres morrerem de chorar comendo chocolate todo mundo sabe, mas acrescente uma boa dose de suspense a essa mistura. Será que isso dá certo? E aqui vai a resposta, minha gente, dá muito certo. E se eu já tinha ideia disso lendo Um Porto Seguro, foi só terminar O Guardião para que isso se tornasse uma certeza. O cara é realmente bom no que faz, e misturar romance com suspensa só faz com que as páginas passem mais rapidamente e que ficamos sem fôlego e é claro, sem unhas (eu deveria cobrar uma manicure por todas as vezes que titio Sparks me deixou dessa forma). E no final, não teve como não terminar em lágrimas.

Após quarenta dias da morte do marido, Julie recebe uma caixa com um filhote de cão dinamarquês dentro, e junto desse, uma carta do marido, dizendo que mesmo longe, estará sempre protegendo-a. Se passam quatro anos, e Julie finalmente se sente forte para começar um novo relacionamento. Depois de sair com vários caras e quase desistir, ela conhece Richard, um homem aparentemente perfeito. Mas Mike, seu melhor amigo, que é totalmente apaixonado por ela, não consegue gostar de Richard e muito menos Singer, seu já crescido cão. Julie então passa a descobrir sentimentos até então desconhecidos por Mike, e precisa fazer uma escolha, uma escolha que pode colocar sua vida em perigo.

E não se preocupe. De onde estiver, cuidarei de você. Serei seu anjo da guarda. Pode contar comigo para protegê-la

Ainda tem muito "amor meloso", o que é a característica (que eu amo, admito) do Sparks. Mas a medida em que ele vai acrescentando suspense, tudo vai ficando cada vez melhor, especialmente as cem últimas páginas, que para mim, foram impossíveis de largar. A escrita de Sparks vêm evoluindo muito, e confesso que ele me surpreendeu bastante nesse livro. É tudo simples, mas mesmo assim ele dá muita emoção as páginas. Os personagens também são no já conhecido estilo Sparks, mas ele consegue criar outros bem mais complexos, como Richard, e alguns que eu gostaria que tivessem mais espaço, como Jennifer. Mais uma vez o autor aposta na terceira pessoa, o que eu achei uma boa jogada, já que assim temos uma visão maior de todos os personagens e da história em si, o que parecia ser o objetivo. 

A capa também segue o padrão dos livros do autor, e encontrei poucos erros, nada que atrapalhasse muito a história. Apesar de ter me lembrado um pouco Um Porto Seguro, eu diria que isso foi somente no teor suspense, já que em todo o resto o autor consegue criar uma história original e de tirar o fôlego. E o interessante, é que ele também trabalha o relacionamento entre animais de estimação, o que eu achei diferente, e fofo. O título foi uma boa sacada, apesar de no meio eu já ter descoberto (hehe).

Mesmo tendo chorado no fim e amaldiçoado até a quinta geração do Nicholas por ele, admito que eu adorei. Não entrou pros meus favoritos do autor, mas me deixou emocionada. Pode não surpreender muito quando se trata do final, mas realmente foi ótimo para conhecermos um lado mais sombrio de Nicholas escrever. E eu realmente espero que ele trabalhe mais esse lado. 

"O mundo fica melhor quando você sorri"

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Mentiras - Gone #3 - Michael Grant

Mentiras
Autor(a): Michael Grant
Editora: Galera Record
Ano de lançamento: 2012
Páginas: 378
Classificação: 

Contém Spoilers dos dois primeiros volumes da série. Leia aqui a resenha de Gone e de Fome

Terceiro volume da série best seller do NYT, sobre o estranho sumiço dos adultos mundo afora, o que deixa apenas adolescentes e crianças para desvendar o mistério. Neste volume, sete meses se passaram e as coisas parecem finalmenteter criado alguma ordem no LGAR - se é que podemos chamar de ordem um bando de crianças sozinhas e armadas.Mas estabilidade não parece ser uma opção no LGAR. Coisas cada vez mais estranhas continuam a acontecer e, como se não bastasse, um boato ainda mais estranho, para não dizer assustador, começa a se alastrar. Mas mesmo naquele lugar bizarro não é possível que mortos voltem à vida... é?
Isso aconteceu em uma noite: uma garota morta caminha entre os vivos, Zil e os Normais ateiam fogo a Praia Perdido, e no meio das chamas e fumaça, Sam vê o garoto que mais teme – Drake. Mas Sam e Caine derrotaram ele junta com a Escuridão – ou assim acreditavam. Com Perdido Beach queimada, o combate inicia-se: Astrid contra a Town Council, os Normais contra os mutantes, e Sam contra Drake. E a profetiza Orsay e Nerezza estão pregando que a morte os libertará. Com a vida em LGAR tornando-se cada vez mais desesperadora, ninguém sabe em quem confiar.

Gone é uma das melhores distopias que eu já li. É inteligente, criativo e tem uma história de tirar o fôlego do leitor a cada capítulo. Infelizmente, tem muito pouco reconhecimento no Brasil (o que de certa forma eu entendo, já que os preços são muito salgados). Mentiras, terceiro volume da série, não poderia ter outro título. O livro inteiro gira em torno disso: mentiras. E se em algum momento eu imaginei que iria conseguir respostas neste volume, não podia ser mais ingênua. Terminei Mentiras com uma grande interrogação, criando teorias doidas e é claro, morrendo de ansiedade para o próximo volume.

O LGAR está uma confusão. Como se já não bastassem as várias crianças famintas e assustadas, a destruição por toda parte e a violência constante, agora eles precisam lidar também com a falta de energia e com a Galera Humana - um grupo de vândalos que planejam uma guerra para destruir as aberrações. Mas agora, tudo se encaminha para melhora. Astrid tem um Conselho, que está planejando criar leis, Caine está longe e fraco e Drake - o psicopata com braço de chicote - está morto. Mas para Sam, isso não é o bastante. Não quando o Conselho não consegue criar nada. Não quando crianças continuam a ser assinadas. Não quando Zil e a Galera Humana saem pichando coisas contra as aberrações. Não quando uma garota é vangloriada por supostamente ser uma profetista que consegue enxergar além da parede do LGAR, e muito menos quando tem uma garota morta andando por aí. 

''O som daquilo tudo, as pancadas, rasgos e estrondos súbitos, juntava-se aos estalos e sopros o fogo que abria caminho pelo lado oeste da rua.
Eram os sons de Praia Perdida morrendo.'' 


Assim como em Fome, as coisas demoram um pouco para esquentar. Apesar de informações importantes e chocantes estarem presentes desde a primeira página, as coisas só começam a acontecer realmente depois da página 100. O livro da uma volta impressionante, que me deixou de queixo caído, e quando se instala neste ritmo, é quase impossível parar de ler, fato, que me fez devorar em menos de dois dias. Apesar de ser consideravelmente menor que os outros dois primeiros volumes da série (ambos tinham quase 600 páginas), Mentiras carrega muito informação, com reviravoltas chocantes.

Uma coisa que me incomoda muito nessa série, é a quantidade de personagens. Tem muita gente. Tudo bem, não tem como criar uma história dessas com apenas cinco personagens. Mas ainda sim, são muitos nomes para se lembrar (nomes que não são nada fáceis), o que para mim, dificulta um pouco na hora de entrar no ritmo da história. Várias vezes tive que pegar Fome para me lembrar de determinadas pessoas, que nem tiveram tanto destaque posteriormente. 

Mas o fato é que não dá para reclamar com o que o autor faz com esses personagens. Eles são muito bem construídos, com erros e acertos, oscilações de humor, atos heroicos e atos de covardia, nos fazendo amá-los e odiá-los a todo momento. São vários momentos em que eu tive que parar e pensar "Hey! Espera, eles são apenas crianças". Na maior parte do tempo, com tudo o que acontece, não tem como se lembrar disso, porque eles forma obrigados a crescer em pouco tempo, tomando atitudes que não afetam somente suas vidas, mas a de todas as pessoas daquela pequena sociedade formada por crianças, e a autor trabalhou isso magnificamente. Eu não imaginava as sequelas que Drake tinha deixado em Sam - especialmente as psicológicas - mas elas estão ali o tempo inteiro. Neste volume, ele está totalmente perturbado, o que em nenhum momento, foi uma coisa ruim. O personagem, apesar das luzes que pode lançar, também é humano, e a forma realista como o autor trabalhou seus traumas me deixou surpresa e satisfeita. Já Astrid gênio, foi um saco. A personagem me irritou grande parte do livro, me fazendo questionar a maior parte do tempo onde estava o gênio.

"Maria podia sentir a depressão chegando. Era uma perseguidora paciente. Ela observava e esperava. E, quando sentia a mínima fraqueza, chegava mais perto."

Mentiras mexe com o psicológico, te deixa sem fôlego e chocado. Estou convencida de que o Michael é algum tipo de gênio. É tudo tão original e criativo, que não tem como não ficar desapontado com o tão pouco reconhecimento que tem. Independente do preço, gosto literário ou faixa etária, a série Gone vale muito a pena. Vou parar por aqui, porque tenho certeza do quão grande ficou essa resenha, mas mesmo assim, não posso deixar de reforçar, Leiam Gone.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quem é Você, Alasca? - John Green

Quem é Você, Alasca?Autor(a): John Green
Editora: WMF Martin Fontes
Ano de lançamento: 2010
Páginas: 229
Classificação: 

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o "Grande Talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande Talvez".

Quem é você, Alasca? É um livro diferente de tudo o que eu já li. E não é só por fazer refletir e repensar sobre nossas vidas - e sobre nós mesmo - mas também por tratar a adolescência de uma forma tão real e crua, que só tem a acrescentar em uma leitura emocionante, cômica e muitas vezes... simples. A simplicidade do livro, talvez seja o que mais lhe acrescenta. Não temos uma trama sobre alienígenas, uma distopia, ou adolescentes fúteis. É apenas um garoto que busca descobrir algo muito maior que ele mesmo e nesse caminho encontra pessoas maravilhosas, e acredito que muitas pessoas não tenham gostado por justamente isso. São só adolescentes pregando trotes e vagabundeando pela escola. Simples. Nada novo, nada inovador, nada chamativo, então o que torna 'Quem é Você, Alasca?' especial? A simplicidade. Sem exageros, sem informações demais. Tudo ali é importante, necessário. É real, justamente, por não ser exagerado. As vezes, menos mais, e nesse caso, com certeza esse ditado se encaixou perfeitamente.

“Mas que diabos significa “instantâneo”? Nada é instantâneo. Arroz instantâneo leva cinco minutos, pudim instantâneo uma hora. Duvido que um instante de dor intensa pareça instantâneo.”


"Quem é Alasca?" - a pergunta permaneceu ao meu lado o tempo inteiro. Alasca é uma personagem tão complexa, que as 230 páginas não foram capaz de responder. E em algumas determinadas páginas, não teve como não me identificar com ela. Não só com a Alasca impulsiva, corajosa, egocêntrica, misteriosa, mas principalmente, com a Alasca que tem medo, chora e procura a saída do labirinto. Miles e Coronel também. Eles tem defeitos e se arrependem, mas isso os tornam quem são, e isso os tornam reais. Não consegui terminar a leitura sem sentir saudade desses personagens, que me acompanharam em tão poucas páginas, mas se tornaram... Especiais, simplesmente por serem humanos.

“Se pararmos de desejar que as coisas perdurem, não iremos sofrer quando elas desmoronarem.”

Quem já leu algo do John Green deve saber da sua narrativa gostosa e inteligente, o que faz com que a leitura seja tão rápida e prazerosa. Se vocês leram A Culpa é das Estrelas (o mais famoso do autor), não leiam esse imaginando que vão encontrar uma Hazel ou Gus. Não, nem perto disso. Se lê-lo com esse pensamento, garanto que tem uma grande chance de se decepcionar. São livros totalmente diferentes, e compará-los só tiraria o mérito de duas lindas obras.

“Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar este futuro é o que nos impulsiona para frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente”.

O final. Ah, o final. Talvez tenha sido um dos mais inteligentes que eu já tenha lido. Algumas perguntas ficam sem repostas, mas isso é realmente ruim? Para falar a verdade... não. As perguntas me fizeram pensar, refletir, sobre diversos assuntos, e sei que é por isso que Quem é você, Alasca? é tão especial. Mesmo depois da última página virada, é difícil não se lembrar da história. Mesmo que os personagens não tenham sido os melhores. Mesmo que a história não tenha sido atrativa ou revolucionária. Tenho certeza de que me lembrarei desse livro, simplesmente porquê ele cria uma filosofia linda.

“Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então, voltei para o meu quarto e desabei no beliche debaixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era a garoa e ela, um furacão.”

Como resenhar um livro que foi tão especial para você? Bem, eu realmente não sei, mas tenho que dizer que 'Quem é você, Alasca?" conquistou um lugar na minhas lista de favoritos. Ele é inteligente, real, triste, cômico, jovem, simples, e ouso dizer, especial. Um livro que consegue englobar todos esses tipos de sentimentos em tão poucas páginas é especial. Superou minhas expectativas. 

"Quando os adultos dizem: “Os adolescentes se acham invencíveis”, com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem quanto estão certos."

terça-feira, 8 de abril de 2014

Em Chamas - Jogos Vorazes #2 - Suzanne Collins

Em Chamas
Autor(a): Suzanne Collins
Editora: Rocco
Ano de lançamento: 2011
Páginas: 416
Classificação: 

*Contém Spoilers do Primeiro Volume da Trilogia

Depois da improvável e inusitada vitória de Katniss Everdeen e Peeta Mellark nos últimos Jogos Vorazes, algo parece ter mudado para sempre em Panem. Aqui e ali, distúrbios e agitações dão sinais de que uma revolta é iminente. Katniss e Peeta, representantes do paupérrimo Distrito 12, não apenas venceram os Jogos, mas ridicularizaram o governo e conseguiram fazer todos - incluindo o próprio Peeta - acreditarem que são um casal apaixonado. A confusão na cabeça de Katniss não é menor do que a das ruas. Em meio ao turbilhão, ela pensa cada vez mais em seu melhor amigo, o jovem caçador Gale, mas é obrigada a fingir que o romance com Peeta é real. Já o governo parece especialmente preocupado com a influência que os dois adolescentes vitoriosos - transformados em verdadeiros ídolos nacionais - podem ter na população. Por isso, existem planos especiais para mantê-los sob controle, mesmo que isso signifique forçá-los a lutar novamente.

Após terminar o primeiro volume de um livro surpreendente, sempre fico receosa que seu próximo volume caia na "Maldição do Segundo Livro", e não consiga cumprir minhas expectativas. Com Em Chamas não foi diferente, na verdade, foi bem pior, já que o livro é tão bem falado, e o favorito entre os fãs da trilogia. Felizmente, o livro passa tão longe da maldição e consegue ser milhões de vezes melhor que o seu primeiro volume (o que eu imaginava ser algo difícil de acontecer, reconheço). Com ação, romance e cenas fortes e intensas capazes de nos fazer chorar, rir e gritar, Em Chamas mostra uma realidade dura através dos olhos de uma das personagens mais brilhantes que eu já conheci.

“Porque, às vezes, acontecem coisas com as pessoas com as quais elas não estão preparadas para lidar.”

Após vencerem o Jogos Vorazes de forma inusitada, Katniss Everdeen e Peeta Mellark precisam continuar com o romance que criaram na arena, mesmo que os sentimentos de Katniss não tenham se mostrado tão verdadeiros quanto os de Peeta. É a partir daí que os primeiros sinais de uma revolta acontece, o que deixa a Capital preocupada com quanta a influência os dois podem exercer sobre o povo de Panem. Snow então dá a Katniss a alternativa de tentar de novo, mas dessa vez, realmente. Ela tem que fazer com que todos acreditem que o truque da arena foi por amor a Peeta, e não um ato de rebeldia contra a Capital. Apesar de concordar, a personalidade forte de Katniss impede que as coisas são saiam como planejado, e torna a situação ainda pior. Eis que surge a ideia perfeita, já que a Capital não pode simplesmente eliminar Katniss e Peeta, eles precisam dar um jeito de mantê-los na linha. Nem que pra isso precisam fazer com que eles lutem de novo.

"O Massacre Quaternário acontece a cada vinte e cinco anos, marcando o aniversário da derrota dos distritos com comemorações de alto nível e, para garantir uma diversão extra, algumas mudanças terríveis para os tributos. "


Eu estava com um pé atrás quando soube que eles iriam novamente para os Jogos. Afinal, é estranho pensar que a autora repetiria o enredo do primeiro livro, mesmo que tenha dado incrivelmente certo. Mas foi ai que eu me enganei (de novo), o livro não se centra somente nos Jogos, ele é só mais uma parcela (extremamente necessária, mas ainda é só uma parcela), mas vai muito além. Conhecemos uma "Katniss-pós jogos" e apesar de ainda ter a mesma personalidade, neste livro, vemos os danos que os Jogos lhe causaram, coisas pequenas, mas que fazem muita diferença no crescimento do personagem. Peeta está mais encantador do que nunca (isso é possível?), o que só me fez suspirar ainda mais pelo personagem, mas que também sofre com os traumas da arena. Haymitch é mais uma vez o responsável pela dose de "diversão" na trama, pelo seu humor ácido. Ele é realista, inteligente e me arrisco a dizer que ele é sem dúvida nenhuma o personagem mais genial da trama, independente de sua participação limitada. 

"- Eu gostaria de poder congelar este momento, aqui, agora e viver nele para sempre."

Pra quem pensou que conheceríamos tudo sobre Gale, estava enganado. O personagem é frenquentemente citado e tem uma participação muito maior do que no primeiro livro, mas mesmo assim, sua participação não é tão grande. Ainda não somos capazes de saber muito sobre ele, mas mesmo assim, ele é um personagem muito importante na trama. Somos apresentados também a novos personagens, os vencedores dos jogos anteriores, outro ponto em que eu estava receosa. Obviamente sabia que o acréscimo de personagens era necessário para a trama andar, mas não imaginava que bem menos de 416 páginas seria o suficiente para conhecer todo mundo e me apegar aos personagens antes que eles fossem tirados de mim (Sim, Rue eu falo de você :'c), mas a autora consegue fazer tudo andar de forma natural, sem que pareça que eles estão sendo apresentadas as pressas, e se mostra, mais uma vez, muito eficiente na arte de destroçar corações. 

"Eu observo suas mãos, seus belos dedos capazes. Com cicatrizes, como os meus eram antes da Capital apagar todas as marcas da minha pele, mas fortes e ágeis. Mãos que têm o poder de explorar carvão, mas a precisão de preparar um laço delicado. Mãos que eu confio.”

Mas uma vez, o romance não é tão importante. Claro, temos Katniss e Peeta forjando um romance enquanto ela não tem certeza dos sentimentos pelo seu amigo Gale, mas mesmo assim, o livro vai muito além do romance. Até mesmo o casal principal, queridinho dos fãs, é uma forma de crítica a uma sociedade. Não só Panem, como também a nossa. E é por isso que Jogos Vorazes é muito bom. Porque tudo tem um "porquê" maior e é sempre uma forma de critica inteligente, o que nos faz refletir. A capa segue o padrão do primeiro livro, mas o laranja vibrante (puxado pro vermelho) chama atenção, além do desenho do tordo ter muita relação com a saga. A diagramação está perfeita, não me lembro ter encontrado erros, além disso as letras são em um ótimo tamanho e as páginas amareladas tornam a leitura mais confortável.

"- Você sabe, você poderia viver mil vidas e não merecer ele."

Em Chamas, literalmente, pega fogo, nos faz soar frio, passar a noite em claro e elétricos com todo o poder exercido pela trama, é fantástico, surpreendente e emocionante. A narrativa em primeira pessoa só torna o livro mais envolvente. Suzanne Collins se provou muito mais do que uma boa escritora, e por si só criar um grande legado com uma distopia genial e eletrizante. O livro favorito de quase todos os que leram a trilogia, e não é pra menos, já que consegue superar o primeiro volume e deixar um (enorme) gostinho de quero mais para o terceiro. 

"[...] é surpreendente saber que as pessoas na capital sentem algo por nós. Elas certamente não se importam nem um pouco em assistir a crianças sendo assassinadas ano após ano. Mas talvez conheçam bem demais os vitoriosos, principalmente aqueles que são celebridades há anos, para se esquecerem que são seres humanos. Seria, talvez, como assistir a seus próprios amigos morrerem"

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A Música que Mudou Minha Vida - Robin Benway

A Música que Mudou Minha Vida
Autor(a): Robin Benway
Editora: Galera Record
Ano de lançamento: 2009
Páginas: 368
Classificação: 

A vida de Audrey Cuttler não tem sido a mesma desde que aquela música chegou ao topo das paradas. Ela só queria ir a shows, andar com seus amigos e, talvez, arrumar um encontro com o gatinho do trabalho, mas agora Audrey é... famosa! Não famosa do tipo coisas-grátis-e-crachás-para-o-camarim. Famosa do tipo paparazzi-escondido-nos-arbustos, o pior-momento-da-sua-vida-estampada-por-toda-a-primeira-página. Tudo por causa da música que o ex - namorado fez sobre o rompimento dos dois - o hit do momento, quer dizer, um desastre! Audrey não quer ser a garota dos refletores, mas uma vez que o mundo decide que ela é uma estrela, será que a sua vida algum dia vai ser normal de novo? Prepare - se para descobrir, porque está na hora da Audrey contar o seu lado da história.


Acabei de terminar o livro e posso dizer sem sombra de dúvida que foi um dos melhores romances "teen" que eu li. Além da narrativa maravilhosa da autora, quotes memoráveis, uma trama criativa e inteligente, os personagens que se tornam seus amigos ao decorrer da leitura, o livro tem uma playlist indescritível, carregada de bandas e músicos maravilhosos, que de alguma forma vão aparacer no seu celular, ou não desgrudar nunca mais da sua cabeça. 

"Juro, se aquela música não fosse sobre mim, se eu nunca tivesse encontrado com Evan, estaria naquele palco sacudindo o corpo que mamãe me deu, de tão viciante que era. Mas, em vez disso, fiquei enraizada no chão e meu queixo estava em algum lugar perto dos meus joelhos."

Audrey é uma adolescente comum, vai a escola todos os dias, precisar trabalhar para ir em todos os show de suas bandas favoritas, tem uma gata gorda e preguiçosa e tem como hobbie fazer colagens de seus ídolos em uma parede no seu quarto e copilar CD's de acordo com seu humor. Mas tudo isso muda drasticamente quando ela decide terminar com seu namorado Evan e ele escreve uma música para ela intitulada "Audrey Wait!" (em português "Audrey, Espere!"). Só que o que ela e nem ninguém esperava era que a música se tornasse um completo sucesso.

'' O dia começou quebrando em cima de mim como uma onda e eu me afundei em uma tina de Loucura de Geleia e finalmente comecei a chorar.''

Quando uma música estoura a vida de um artista muda drasticamente. Fãs, reportes, críticos. Todos os olhos colocados no artista, expetativas e perguntas. Mas vocês já pararam para pensar no outro lado da história? Na pessoa que havia inspirado a música, como a vida dela também é mudada drasticamente? E é isto que este livro fala. Logo que a música se torna um completo sucesso, todos tentam descobrir quem são os Do-Gooders (banda do Evan), mas mais ainda, eles querem saber quem é a tal da Audrey.

"Porém, ninguém me avisou que a minha vida estava prestes a mudar. Não me falaram sobre os paparazzi e editores de revistas e relações-públicas e do advogado que meus pais teriam que contratar. Com certeza, não me falaram que vocês todos iam saber meu nome até o fim do ano.
E isso é tudo que vocês realmente sabem: o meu nome.
Mas agora chega, crianças.
Eis o meu lado da história."

De uma forma bem humorada (na medida certa) e ao mesmo tempo séria, Robin consegue narrar a desesperante história de Audrey, que ganhou uma infinidade de fãs, haters e pessoas tentando ver a todo o momento o que ela está fazendo simplesmente por ter terminado com um cara. Além disso, a autora consegue nos fazer sentir não só o desespero de Audrey com toda esta confusão (que acredite, é bem grande) mas também o dos outros personagens a sua volta, como seus amigos, pais e "paqueras". É impressionante como uma simples música pode mudar a vida de várias pessoas Além disso, as sacadas da autora sobre o mundo da música e fama são incríveis, o que me fez imaginar se a história não foi verídica, afinal. 

"Se quiserem realmente saber algo sobre, têm que saber isso: eu gosto da minha música alta. Quero dizer muito alta. Não estou falando do tipo de alta que seus pais batem na porta do seu quarto e pedem para você abaixar. Por favor. Isso é coisa amador. Quando digo alta, quero dizer tão alta que você-não-consegue-ouvir-seus-pais-batendo-e-os-vizinhos-estão-botando-uma-placa-de-VENDE-SE-na-frente-de-casa-e-se-mudando-para-outro-quarteirão-porque-não-conseguem-mais-aguentar-o-barulho-constante."

Logo que li a sinopse fiquei curiosa, mas ao mesmo tempo apreensiva com a forma como a autora podia tratar do assunto. Fiquei achando que ficaria forçado ou superficial demais, mas ela equilibrou bem a situação, fazendo com que o assunto se tornasse real e o leitor pudesse se sentir dentro das páginas e se apagar aos personagens. E que personagens, hein...! Todo eles são tão marcantes que já estou morrendo de saudade. O livro tem alguns palavrões, não tantos, mas que podem incomodar alguns leitores. Eu por exemplo, não gosto de palavrões (Sou chata XD), mas acho que para a trama jovem se adequada bem e por não serem tantos, não atrapalha a leitura.

“É engraçado como cama, travesseiros e cobertas podem mudar a conversa. As palavras ficam silenciosas e você quer dizer mais e falar menos. É como se pudesse construir seu próprio mundinho. População: 2.”

O mais legal? Tudo gira em torno de música. A música está presente em cada detalhe do livro, por menor que seja. No início dos capítulos, entre as citações, na parede da Audrey. Música é o tema principal do livro e não poderia ser diferente. E mais legal que isso, é que a autora coloca tudo como se realmente tivesse acontecido e os leitores tivessem acompanho cada detalhe pela mídia. Isso faz com que a personagem converse com você a medida que narra, tornando a história mais leve e divertida. A capa do livro também é linda. As cores são fortes e vibrantes e interessante é que na orelha do livro, tem um depoimento da Anna Julia. Sim, aquela do Los Hermanos, que você, (não importa a sua idade) com certeza já cantou.

"Tem que aumentar o volume até o peito tremer e a bateria entrar por entre as costelas como a batida do coração e o baixo subir pela coluna e entortar o cerébro, e tudo o que você pode fazer é dançar ou girar em círculos ou gritar junto porque sabe que, não importa o que a música faça você sentir, é perfeito."

Apesar de ser tão engraçado e adolescente, o livro consegue trazes lições importantes como valorizar as amizades, crescer, mudar, descobrir a si mesma e acima de tudo ensina que você nunca deve terminar com um músico que pode escrever uma canção sobre você e te tornar uma celebridade mundialmente conhecida e odiada (Okay, essa é brincadeira, mas de qualquer forma, fica a dica ;3)  Demorei para ler este livro, principalmente, por nunca conseguir achar em uma promoção bacaninha, mas posso dizer que vale cada centavo. Por fim, devo dizer que os diálogos criativos e engraçados, as diversas referencia a cultura Pop no geral me encantaram e me fizeram não só gostar deste livro, como favoritá-lo. Sério. Um. Dos. Melhores. Livros. Que. Já. Li. Indico não só para aqueles que valorizam um bom romance teen e uma boa música, mas para todos aqueles que estão lendo essa resenha. Pare agora tudo o que você está fazendo, e vá logo ler este livro. 

“- Às vezes você vai ter que tomar decisões das quais nem todo mundo vai gostar. Mas se acha que é a coisa certa a fazer, você tem que fazer. Mesmo que seu namorado não goste. Mesmo que Victoria não goste. Diabos, mesmo que papai e eu não gostemos. Tem que começar a confiar em si mesma.”